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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Três dicas digitais

Três dicas de leitura digital, que seguem a linha que costumo postar aqui. É pra compensar a falta de textos inéditos, já que o carnaval no Psicodália, festival paranaense / catarinense (porque não humano?) de contra-cultura, tomou o meu tempo e minhas emoções!
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Primeiro, a dica é o Silent Disasters. Trata-se de uma série de reportagens feitas em parceria da Euronews com a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. A ideia é mostrar os países e comunidades afetados pela catástrofe, depois da imprensa ir embora. Os terremotos, guerras, epidemias e inundações acabam. O sofrimento não.
Assista o programa sobre Ulan Bator, a capital da Mongólia, no qual o foco são as movimentações sociais (com base na raiz nômade do povo mongol) e o meio ambiente, já que há - factualmente - mudanças climáticas em curso naquele grande território.
Foto do site photosmongolia.com, retratando um panorama de Ulan Bator, com as tradicionais tendas mongóis, montadas em qualquer lugar e sem condições sanitárias triviais para o meio urbano, e os prédios residenciais construídos para a população já fixada na cidade. Claro que é outro contexto social, mas no Brasil, algum político já mandava a polícia derrubar as tendas...
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Segundo, um sítio espanhol que concentra notícias combativas de esquerda. No texto "La Verdad Sobre Grecia" estão narrados fatos que nós - latino-americanos - estamos "carecas" de saber. A diferença é que agora quem vive o problema são eles - os europeus. É interessante ler para ver os seus pontos de vista.
Segue o link: http://www.rebelion.org/
Político grego = político brasileiro = político. E ainda tem economista que acredita na ortodoxia capetalista.
Ainda bem que o povo não concorda com as medidas de austeridade!
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Por último, uma notícia que passou completamente desapercebida pela mídia, já que aconteceu em plena segunda-feira de carnaval, o que é muito grave. Trata-se da reintegração de posse do andar térreo do bloco G do CRUSP, que era "auto-gerido", após a ocupação das áreas administrativas da COSEAS (o órgão de assistência social da USP).
Não concordei com essa ocupação e não acho que a "auto-gestão" seja mais justa ou eficiente do que a gestão oficial do COSEAS. Ambas são injustas, principalmente pela ausência de informações mais detalhadas, seja da oferta ou da procura. No entanto, um erro não justifica o outro e não tira o foco do problema que é aqui exposto: a violência e a coação.
Ademais, os estudantes não podem mais radicalizar? Na cabeça dos dirigentes tucanos, não se pode mais questionar com ações. Quando todos aceitarem isso, o próximo passo é também proibir os questionamentos verbais. Por isso - mesmo discordando com a ocupação - apoio os estudantes.
Reproduzo abaixo a notícia do Centro de Mídia Independente.

"Em meio ao carnaval Polícia Militar de SP age contra a moradia autônoma da USP 

Durante a madrugada de hoje, dia 19 de fevereiro, a Polícia Militar de São Paulo aproveitou o momento de esvaziamento devido ao carnaval para agir contra o espaço de moradia autônomo dos estudantes, conhecido como Moradia Retomada da Universidade de São Paulo. 

Balas de borrachas foram utilizadas e nenhum estudante dos outros blocos de moradia puderam se aproximar para ao menos filmar as ações. 12 estudantes foram detidos. Os estudantes estão neste momento no 14º DP da Polícia Militar localizado na R. Deputado Lacerda Franco, 369. 

Os estudantes detidos estão sendo acusados de desobediência civil e danos ao patrimônio público e só sairão sob fiança. Poucos estudantes que estão acompanhando os detidos pedem para que todxs que estejam em São Paulo para comparecerem à delegacia para apoiar o movimento e pensar próximas ações 
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Na manhã da segunda-feira, dia 6, o aviso sobre movimentação de policiais perto da portaria principal da Cidade Universitária mobilizou Movimento Estudantil e apoiadores. Era o prazo final para a execução da reintegração de posse da Moradia Retomada, localizada no térreo do bloco G do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). 

Depois de uma série de violações de Direitos Humanos durante a reintegração de posse da Reitoria Ocupada no final do ano passado, perseguição ao Sindicato dos Trabalhadores, demissões em massa, e ataque ao espaço do Núcleo de Consciência Negra, o reitor segue sua gestão coordenando a USP como se fosse uma empresa. Desta vez decidiu fazer a "limpeza" da Cidade Universitária poucos dias antes da matrícula dos calouros que se dará nos dias 8 e 9 deste mês. 

O prédio onde hoje é a Moradia Retomada é um espaço auto-gestionado desde 17 de março de 2010. O local era antes a administração da COSEAS, Coordenadoria de Assistência Social. Os estudantes exigem políticas de permanência estudantil e o fim da vigilância que a COSEAS exerce sobre os moradores do Conjunto Residencial dos Estudantes da USP, CRUSP, mantendo relatórios sobre suas atividades políticas e pessoais. "

A charge é velha, mas basicamente é a mesma coisa...

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