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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estética da favela: Brasil, China, Canadá, Estados Unidos

Esse post é a progressão visual de uma ideia.

A ideia partiu dessa notícia aqui, que trata do anúncio de uma obra de grande importância em uma cidade do litoral chinês (Qinhuagdao). É um projeto integrado de alta densidade com 2.400 apartamentos (projeto de Moshe Safdie). O partido projetual e a referência estética são "continuações" de um projeto bem mais conhecido, o Habitat 67, em Montreal. Nesse projeto na China, os terraços são como as nossas "lajes" da periferia, mas ainda se destaca uma certa "ordem" na distribuição dos volumes.


Abaixo, o conjunto Habitat 67, do mesmo arquiteto israelense. Nesse projeto a pesquisa de formas e o resultado estético parecem muito mais apurados. Pode não aparentar, mas há padrões nas unidades habitacionais e as mesmas são muito bem dimensionadas. Mas a obviedade na organização já não existe. Á distância, parece um amontoado de casas, com circuitos, encaixes, saliências. 
De brinde, no final do post, segue o arquivo em "DWG" desse prédio!



Abaixo estão imagens do Stata Center, o prédio que sedia a área de pesquisas em inteligência artificial do MIT (Massachusets Institute of Technology). O prédio é projeto de Frank Gehry, o famoso e octogenário arquiteto canadense-estadunidense. O resultado, objeto das pesquisas desconstrutivistas (ou deconstrutivistas?) alcança altos níveis de inovação estética e formal. A semelhança com a desorganização das favelas é maior que nos projetos anteriores: não há lógica aparente nos encaixes e desencaixes.
Uma coincidência com as favelas: li uma entrevista de usuários que diziam haver infiltrações em vários pavimentos. Defendo o arquiteto: é difícil inovar em materiais sem experimentar muito previamente e treinar a mão-de-obra incessantemente.




Abaixo, as fotos de favelas brasileiras, mais precisamente cariocas. Algumas características disparam aos olhos: quase nenhuma parede externa com revestimento, a maioria é construída com estrutura de concreto moldado in loco e blocos cerâmicos para vedação. As caixas d´água azuis de fibra de vidro são cada vez mais comuns e ficam sempre visíveis.
Vejam como as lajes de Qinhuagdao estão presentes. Como sempre há um pátio, um diálogo "interno-externo". A visão geral assemelha-se ao Habitat 67. E, como no Stata Center, não há lógica aparente (nesse caso, apenas não há lógica e ponto).
Todos exemplos anteriores são projetados e - mesmo havendo críticas em alguns casos - são referências arquitetônicas, nas cidades em que se situam e na história e teoria da arquitetura, como um todo.




Mas podemos comparar (em questão estética ou formal) a favela brasileira com outro lugar não projetado, "vernacular"? Eu me lembrei de um ponto turístico, muito festejado (e caro): Santorini. Em sua origem não era   uma cidade elitista. As construções denominadas "iposkafas" eram parcialmente escavadas na rocha e com mínimo conforto térmico e ambiental. As fotos são de Oia, uma ilha que possuía casas especialmente grandes, então se firmou como destino turístico, ao adaptar tais casas como hoteis.
Outro exemplo é a belíssima Cervo, na Ligúria. Vale um clique nesse link! 



Bom, qual foi a conclusão dessa minha ideia? Vou responder com outra pergunta. As favelas, especialmente as situadas em cenários privilegiados (como a zona sul do Rio de Janeiro), poderão, no futuro, ser um lugar especial, privilegiado, disputado? Para o senso comum: serão consideradas "belas", serão esteticamente apreciadas?

Eu acho que sim. Se os problemas construtivos, geológicos e sanitários fossem devidamente resolvidos, as favelas seriam ambientes disputados: possuem vistas magníficas e proporcionam uma convivência e socialização ímpar.

Pra quem gostou da ideia e quer ler mais, tem um texto no site Vitruvius de autoria da professora Paola Berenstein Jacques, que trata do mesmo tema desse post. A abordagem é outra e o contexto é idem (o texto é produto de pesquisa acadêmica), mas vale a leitura e posteriores citações. É muito bom mesmo!

E como citei Frank Gehry, abaixo tem mais uma imagens de sua participação especial na série The Simpsons,  décima-sexta temporada. Retiradas do episódio "The Seven Beer Snitch" (cujo link é meio chatinho, não sei se vai continuar disponível - em inglês).
O processo de composição projetual e acompanhamento da obra é tratado no episódio. Assistam!



A casa do arquiteto (baseada na casa real) 

 Eureka! Minha ins-PIRAÇÃO

 Springfield City Hall of Classical Music (posteriormente presídio de Springfield - ah! - desculpe contar)

A casa de música de Los Angeles.

E finalmente, o link para download do "DWG" do Habitat 67!

2 comentários:

  1. Hahaha... Eu lembro dessa participação do arquiteto no desenho dos Simpsons!!! Muito bom. Foi pra finalizar um ótimo post! Boas comparações, legal a idéia.

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  2. As favelas só existem porque serve de cabide de emprego para um bando de políticos corruptos. É como a educação em nosso país, quanto pior melhor para os politico, pois teremos um povo ignorante, logo, melhor de serem manipulados por eles.

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