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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Guerra não noticiada

São Paulo, mais uma vez, vive momentos aterrorizantes.






Lembro que na segunda iniciativa coletiva do PCC (Primeiro Comando da Capital, suposta entidade criminosa que reúne presidiários e sócios fora dos presídios) eu me encontrava em um agradável bar de um bairro residencial, o "bar do tiozinho rock", sito no Jardim Prudência, bem defronte a 43ª Delegacia de Polícia. Não acompanho os jornalões comerciais e os telejornais de canais abertos, pois repetem as mesmas notícias de forma parcial e equivocada. Não sinto necessidade deles para me informar. E nessa época meu acesso à net não era tão bom quanto o que possuo hoje. Portanto, eu, amigos e o dono do bar estávamos sós quando recebemos o aviso de baixar as portas do bar - imediatamente atendido. Os policiais, então, aquartelaram-se na delegacia, proibindo o acesso de veículos na rua, com o uso de cones e cavaletes. Todos destruídos quando os automóveis do dito "PCC" promoveu o ataque à delegacia, com rajadas de metralhadora. Não me lembro se houve resposta, mas na hora do ataque já tinha retornado à minha casa. Apenas como reforço de memória, lembro que a primeira iniciativa dessa entidade foi a de soltar presos que ficavam detidos nas carceragens da delegacia - e a 43ª foi um dos primeiros alvos.

Nessa época tínhamos medo de caminhar a noite e aproximar-se de policiais, grupamentos de pessoas, delegacias ou viaturas era potencialmente perigoso. A desconfiança era mútua. Ainda mais quando o transeunte possui o estereótipo do "malandro" da periferia: que na verdade nada mais é que o padrão estético da própria periferia - um absurdo essa confusão.

Anos se passaram. O efetivo policial do Estado aumentou consideravelmente, pelas entrevistas dos (des)governadores tucanos (sete mil só em 2011 pela propaganda). Ainda segundo o picolé de chuchu, ações de inteligência policial foram incrementadas. Construíram presídios e mais presídios Estado afora.

E o que acontece?

Quase nada. A sensação de insegurança é praticamente a mesma. Não bastou o desenvolvimento econômico e financeiro do país para acabar com a violência. Na minha forma de entender o mundo, está completamente equivocado o trato do assunto. Não se pensa em cidadania, em coletividade. Se pensa em opressão, ostensividade. Não se pensa em formas de incutir conceitos mais nobres nas cabeças jovens, mas se reforça a necessidade de sucesso financeiro - justamente o que mais atrai jovens para o crime.

O glamour e a aventura da vida no crime é atraente e é preciso contrapor exemplos. Mas a primeira coisa que faz qualquer cidadão de sucesso, com origem na periferia, é mudar-se de lá. A arte, o esporte, a solidariedade não parecem ser exemplos tão glamourosos ou aventurosos.

Retomando aos tempos de hoje e ao cotidiano, li o depoimento a seguir, de uma navegante do blog CONVERSA AFIADA, do jornalista Paulo Henrique Amorim. Original aqui. É surpreendente. O que mudou de lá pra cá, pela leitura, foram duas coisas: primeiro que a grande mídia não tem mais interesse nesse tipo de notícia, talvez por perceber que seus políticos prediletos estão cada vez menos cotados entre a população. E segundo que o modus operandi desse suposto grupo criminoso está tendendo a radicalismos: além dos ataques contra a polícia, outros alvos estão aparecendo - no caso, ônibus de transporte público. Isso pode ser o prenúncio de ataques contra alvos cada vez mais variados.

Quem sabe a mentalidade das elites e (des)governos não evolui, empurrados pela violência que acerta seus calcanhares? Acho que sou muito otimista.

Segue o relato.



"Trabalho e Moro em São Paulo. Na semana passada em meu bairro Vl Merces, dois policiais foram fuzilados na rua que da acesso ao Carrefour Anchieta, meu escritório fica na Av. Padre Arlindo Vieira V Merces, ontem passou gente na rua avisando que haveria toque de recolher as 17;00 horas. 

Minha mãe trabalha em um Posto de Saúde do Pq Bristol e uma viatura policial avisou que eles deveriam fechar e informou populares nas ruas do bairro que deveriam ir para casa , sair das ruas. 

Minha irmã é professora em uma creche do bairro e a diretoria da creche disse que receberam uma ligação que deveriam fechar pois haveria toque de recolher Todas as escolas públicas da região do Pque Bristol, Jd. caragatá, Vl. Merces, Jd. Maristela, Vl. Vermelha, Vl. Moraes, Vl Brasilina e imediações fecharam por ordem do tráfico.

As 16;30 em frente ao meu trabalho várias viaturas policiais pararam os onibus e o transito, pediram para os passageiros descerem , as pessoas na rua entraram em panico pois já sabiam dos avisos do PCC e viram tantos policiais juntos, O comércio todo do Bairro fechou, inclusive os maiores supermercados: uma loja do Ricoy e um Carrefour _ Loja Anchieta ( todas as lojas da Galeria também fecharam).

Meu pai é cobrador de ônibus da Viasul, o carro que ele trabalha deveria recolher as 23;30 , foi chamado as 20 horas para a garagem , Meu pai e vários outro trabalhadores da Viasul tiveram que ir para casa a pé as 20;30 hra pois não havia mais ônibus curculando, pois colocaram fogo em um onibus no Jd, Botucatu ontem no final da tarde.. 

Na rua, meu pai andou por cerca de 7 km para chegar em casa. O que ele viu, foram ruas vazias, as poucas pessoas eram trabalhadores voltando para casa a pé após um dia de trabalho. Bares, padarias comércio , farmácias tudo fechado. Nenhum policial ou viatura nas ruas , os moradores calados e com medo.

Depois de um dia de terror em todos esses bairros da Chuiça, os moradores extressados e amedrontados, não viram nenhuma pequena notas nos Jornais da noite e hoje ainda temos que ver o Secretário de Segurança pública dizer que não houve nada foram só “BOATOS”. Fiquei estarrecida, Teríamos eu, minha familia , meus vizinhos sido vítimas de um delírio coletivo? Provocado talvez por maricotas fofoqueiras???? Estaremos todos delirantes? 

Será verdade que vivemos em uma cidade tranquila, abaladas apenas por boatos que quem não tem o que fazer????"


* PHA chama São Paulo de Chuíça, pois, diz que é isso que "o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça".

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