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domingo, 15 de junho de 2014

Uma simplificação da sociedade contemporânea


Pensando nas eleições do final de 2014, refletindo sobre como simplificar a análise da sociedade brasileira contemporânea em face dessas eleições, vejo três grupos principais: dois de oposição e um de situação.

Há uma oposição de esquerda, com a qual me identifico, que não concorda com o atual governo pois esse não modificou as estruturas sociais e econômicas do país. Quem continua mandando aqui é o poder do capital, principalmente os bancos, as grandes empreiteiras e os patrimonialistas ruralistas. Esse grupo de oposição reconhece os avanços sociais, no sentido que a pobreza reduziu muito e a fome praticamente não existe mais no país. Mas não concorda com a militarização da gestão pública, nem com o papel irrelevante que o povo tem no cotidiano do governo. Infelizmente esse grupo não tem voz na mídia: nosso meio de comunicação é a mídia alternativa, principalmente por meio da internet, que é barata. E por esse motivo que sempre uso veículos desse tipo para embasar meus discursos. Eles tem a mesma formação política que a minha.


O grupo de situação apoia o governo, pois entende que as forças que dominam o país são tão grandes que não basta ter o poder do Estado para enfrentá-las. Lógico que eu não concordo. A favor dessa opinião está a estatística: a pobreza reduziu muito e a fome praticamente acabou no país. Nos últimos 12 anos as universidades públicas federais mais que dobraram. O índice de escolaridade do brasileiro aumentou, etc. Claro que nesse grupo há muita gente que depende das políticas sociais, mas é preciso entender: os pobres foram abandonados nos últimos 500 anos, então defenderão uma política "nova" que os ajude.

Finalmente há o outro grupo de oposição, que julgo muito difícil de compreender. Aqui está a elite e seus puxa-sacos, gente de classe média que acredita infantilmente que um dia também poderá fazer parte da elite... Usam argumentos paupérrimos, como esse aí da corrupção. Discurso pobre, porque é usado só contra um lado e não contra o outro (quando a roubalheira é no governo paulista o silêncio é sepulcral). Lógico que a corrupção deve ser combatida, mas isso em todos os aspectos da vida: não dá pra furar fila, ficar com o troco errado, pagar pra ter "vantagens" em serviços públicos e clamar pelo fim da corrupção no Estado. Esse grupo de oposição é medroso, pois defende pequenas vantagens ou exclusividades que a classe média tem (ou tinha). Reclamam de filas nos aeroportos, querem padrão de consumo padrão europeu, querem gastar na Louis Vitton ou na Tiffany's. Mas o pior é que dentro desse grupo há uma parcela radical. Essa parcela radical é racista, homofóbica, fascista. É só ler o nível de estupidez dos seus mentores: gente como Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Roger Moreira e outros imbecis desse porte. Para eles, só a ditadura salva. Querem mesmo que pobre tome porrada, etc. Na europa esse grupo já é representativo nas eleições, chegaram até a ganhar o governo da Áustria. Essa gente precisa ser combatida.

Esse texto é propositalmente simplificado, mas dá pra esticar bastante isso aí. Mas dentro dessa simplificação cabe quase qualquer tipo de pensamento. Eu sei muito bem o lado que estou. E vocês?

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