As eleições se aproximam e acho que já
é hora de explicar minha posição política, como costumeiramente
faço antes de qualquer eleição (mesmo que ninguém tenha pedido,
rsrsrs).
Nesse texto, vou escrever exclusivamente sobre a
eleição presidencial e em breve o farei para os demais cargos em
disputa.
Em primeiríssimo
lugar, preciso ser um pouco redundante e explicar que as eleições
não são o momento mais importante de nossa prática política
cotidiana. Cada um de nós, como ser político, está praticando a
política quando realiza suas ações mais comezinhas, práticas. Ao
escolher comprar em um hipermercado ou em uma merceria de bairro, ao
ir trabalhar de carro ou de bicicleta, ao comer um hambúrguer no
fast food ou “bater um comercial”, ao escolher trabalhar por
conta própria... os exemplos são incontáveis! Além disso, a
prática política para nós, cidadãos comuns, é mais efetiva se
participamos de alguma associação, seja de bairro, acadêmica,
sindical, cultural e, inclusive, partidária. As eleições são
apenas um momento no qual participamos (bem de longe) na escolha do
modelo de sociedade que defendemos.
Preliminarmente, também
é preciso destacar que as eleições brasileiras tem um modelo
fundamentado na propaganda e no marketing. Sua escolha não é
totalmente livre, mesmo se você se sinta bem informado. A maioria
dos candidatos discursam segundo orientações de marqueteiros,
utilizam o conhecimento de retórica e oratória e não exatamente
dizem ou prometem o que realmente vão fazer. Pior ainda: para
conseguir ter acesso a essa produção toda, é preciso de muito
dinheiro. Então os candidatos recolhem esse dinheiro com empresas
privadas. Certamente essas empresas privadas não são “boazinhas”
e doam esse dinheiro apenas pelo bem da democracia. As empresas
privadas almejam unicamente o lucro e gastar dinheiro sem perspectiva
de retorno é algo que elas não fazem. Então podemos imaginar o
tipo de compromisso que os candidatos tem com essas empresas
doadoras.
Em segundo lugar, não
será possível, aqui, analisar cuidadosamente os programas degoverno de cada candidato, pelo espaço que pretendo ocupar. E também
porque, afinal de contas, alguns deles já disseram o suficiente para
que eu não perca meu tempo lendo propostas com as quais eu não
concordo em nada! Mas certamente levarei em consideração algumas
linhas gerais dos programas que li, dos candidatos que valem a pena a
leitura.
Em 2014, meu voto para
presidente será em LUCIANA GENRO. A candidata do PSOL, partido do
recentemente falecido Plínio de Arruda Sampaio, melhor representa
minha visão de mundo, além de ter um dos melhores programas de
governo, ter uma reputação ilibada e realizar uma campanha barata,
sem compromissos com empresas de quiasquer tipos.
Representa minha visão
de mundo, pois é uma candidatura de esquerda, que acredita em
diretos iguais para todos seres humanos, combate o racismo, o
sexismo, a homofobia, a exploração do ser humano pelo ser humano. É
uma candidatura socialista, não revolucionária, mas comprometida
com o povo e sua educação. Nesse ponto, destaco que a candidatura
propõe coibir o repasse de verbas públicas para instituições
privadas, ampliando, portanto, o acesso às instituições públicas
até a universalização do ensino. No mundo dos sonhos da minha
cabeça, vejo um povo educado, interessado e altruísta, que parte
democraticamente para um mundo comunista. E tudo começa na
universalização do ensino e na valorização de outras coisas que
não sejam o consumismo desenfreado.
O programa de governo é
excelente, explica como realizar as grandes intervenções
estruturais que o Brasil necessita, tendo como base a auditoria da
dívida pública – que só beneficia uma pequena elite e bancos
nacionais e internacionais – além de implantar um sistema de
controle de capitais, impedindo que o país possa ser devastado em um
“crack”, como a Argentina nos anos 90 ou os EUA no fim dos anos
20. Insere na pauta o imposto sobre grandes fortunas, que mais
ninguém tem a coragem de assumir. Há várias outras propostas sobre
economia e gestão, sendo que concordo com todas! Essa “gestão”
da economia tem uma finalidade: promover a justiça social e ampliar
os direitos a toda a população brasileira. Isso obviamente não é
um sonho, é plenamente possível. Só não aconteceu até hoje por
causa da acumulação brutal em mãos de uma pequena elite, que, por
sua vez, controla também o sistema político. A reconstrução desse
sistema política é um dos eixos do programa de governo, que se
remete ao junho/2013 para valorizar a democracia direta e dar
controle social às instituições.
Além disso, a
candidata tem reputação ilibada: foi expulsa do PT quando deputada
federal, justamente por defender os direitos adquiridos dos
trabalhadores brasileiros, quando houve a reforma da previdência
(que, aliás, será revogada pela Luciana Presidente). Aliás,
Luciana é advogada e professora de inglês, além de ter frequentado
a câmara federal em duas legislaturas. Sua campanha custará no
máximo 400 mil reais, doados apenas por pessoas físicas e pela
militância. Quando garoto, lembro-me muito bem da eleição para
Prefeito de São Paulo, com os candidatos Paulo Maluf e Eduardo
Suplicy. Mesmo garoto (uns treze anos), ficava impressionado em ver a
diferença: a militância do Maluf ia por causa dos 30 mangos (sei lá
o valor, é só uma referência) e o lanche, enquanto a militância
do PT ia por amor à causa! Eram os bons tempos do PT, obviamente.
Hoje vejo isso nos olhos da militância do PSOL. Eles acreditam no
que fazem, se desdobram – e agora já estão escolados com a
história do PT, então esperamos que o Partido continue horizontal.
Explicado meu voto,
parto para explicar porque NÃO VOTO em alguns candidatos. Mesmo que
seja óbvio em alguns casos.
Levy Fidélix é um
político de direita, que defende um partido pequeno. Jornalista e
ex-assessor de comunicação de Fernando Collor de Melo. Pesquisando
sobre essa figura na internet, as coisas não batem. Vive do quê?
Faz exatamente o quê? Como se afirma especialista em mobilidade
urbana se jamais fez um curso na área? Se diz de “direita”. Em
seu site há um link para um tal de “Partido Militar Brasileiro”,
que seria a solução para “endireitar o Brasil”. Em resumo: uma
figura ridiculamente folclórica, que só pode estar galhofando da
gente. Mas o pior é o seguinte: sua campanha tem limite de gastos de
12 milhões de reais. Tem cheiro e gosto de lavagem de dinheiro. Em
outras palavras: sua candidatura não é apenas um gracejo de
direita, mas pode ser, também, uma máquina de lavar dinheiro sujo,
de origem no submundo do crime.
Pastor Everaldo é
outro político de direita, apoiado por partido pequeno. Além de
pastor, foi funcionário do setor de Seguros do Banco do Brasil e se
apresenta ao TSE como empresário. Estudou Ciências Atuariais ou
Economia (não sei qual a fonte certa). Sem querer entrar no mérito
exclusivamente religioso, o candidato faz parte do crescente grupo
político ligado às igrejas evangélicas (ou neopentecostais, como
quiserem). Hoje dividido em vários blocos, esse grupo é numeroso no
Congresso e ensaia um aparecimento de grande porte nas eleições
majoritárias, com essa candidatura “teste” do Pastor Everaldo.
Caso estivessem unidos e possuíssem um candidato realmente
qualificado, em termos de postura pública e midiática (e não uma
figura nojenta, capaz de flatular em uma entrevista de transmissão
nacional), certamente teria chances significativas de ir ao segundo
turno. Obviamente isso seria terrível para o Estado laico que o
Brasil deveria ser (e tenta ser, pelo menos). A história de guerras
causada pela relação entre política de Estado e religião prova
que esse é um caminho a ser fortemente combatido. E no caso desse
candidato, profundamente identificado com a direita, com a
privatização no mais alto grau, esse combate deve ser realizado sem
dó nem piedade. Que receba TRAÇO nessas eleições e que não
repitam essa aventura de lançar candidato aos cargos majoritários.
Outro detalhe que não pode ser ignorado: as despesas de sua campanha
estão previstas em 50 milhões de reais! De onde vem essa grana?
Eymael é o terceiro
político de direita, de partido pequeno, candidato a essa eleição.
Aliás, mais uma! É sua quarta tentativa para Presidente, além de
tantas outras derrotas em outros pleitos. Pra não dizer que sempre
perdeu, foi deputado da Assembleia Constituinte, quando teve um
trabalho considerado bom pelo DIAP. A “Democracia Cristã”,
ideologia que Eymael representa, tem base nos valores morais do
cristianismo, na defesa da moral, de valores éticos tradicionais
cristãos, do respeito entre os indivíduos e os povos. Trata-se,
pois, de conservadorismo social, o que tem aspectos positivos (é
contra a miséria, por exemplo), mas muitos aspectos negativos (a
liberdade de credo, o direito de minorias, o direito de aborto). Mas
a Democracia Cristã, no Brasil, caracteriza-se por ser defensora do
liberalismo econômico, que levou o mundo ao estado de injustiças
que vivemos hoje. Portanto é uma doutrina anacrônica e
contraditória. Eymael é filósofo e advogado, ganha a vida com sua
banca de direito tributário (provavelmente vencendo causas contra o
Estado, rsrsrs) e tem uma empresa de marketing. É milionário e tem
as despesas da campanha limitadas em 25 milhões de reais!
O quarto político de
direita que apresento na lista dos NÃO-VOTÁVEIS é o neto de
Tancredo, o tal de Aécio Neves, economista de formação. Há muita
informação na mídia que o desqualifica como pessoa, por exemplo,
sobre seus vícios em drogas ilícitas, sobre seu envolvimento no
caso do helicóptero que traficava cocaína de posse dos Perrela em
Minas Gerais, sobre seu amor pelo Leblon, mesmo quando ocupa uma
cadeira de Senador por outro estado da federação... Esse candidato
declara, no site do TSE, que seu apartamento na Avenida Epitácio
Pessoa, defronte a Lagoa Rodrigo de Freitas (um dos lugares mais
caros do Brasil) tem o valor de R$ 109.000,00. Um verdadeiro
escroque! Mas, tudo bem, vamos relevar a personalidade da figura e
vamos falar de sua candidatura. O PSDB ficou 8 anos no poder, com
Fernando Henrique Cardoso, com uma política única: austeridade e
ortodoxia financeira. Sem nenhuma preocupação com a vida cotidiana
dos brasileiros empobrecidos, o objetivo do PSDB era simplesmente
estabilizar a economia. Quem mais ganhou com isso não foi o povo,
certamente. Quem ganhou foram os investidores, que com a estabilidade
conseguiram ingressar no Brasil de maneira tranquila e ordenada. É
claro que sem essa estabilidade não teria sido possível, dentro do
capitalismo, fazer aumentar a taxa de emprego formal e mesmo a
arrecadação de impostos, responsável pelos programas sociais que
fizeram o sucesso dos governos posteriores. Mas essa estrutura está
fundamentada no trânsito de capitais privados estrangeiros, na
concentração dos bens e da renda, criando uma pirâmide
sócio-econômica absurdamente injusta. O candidato Aécio pretende
retomar essa política de austeridade. Ou seja, manejar a taxa de
desemprego, arrochar os salários, aumentar a disputa por um
trabalho. Em um linguajar bem simples: Aécio governará para os
ricos. Sua campanha vai custar absurdos 290 milhões de reais. E
sobre seu vice: um traidor vendido, apaixonado pelo poder.
A candidata Maria
Osmarina, mais conhecida como Marina, formada em História, atual
queridinha da mídia, promove uma confusão ideológica difícil de
desvendar. E, provavelmente, o faça de propósito. Em primeiro
lugar, sobre a questão do verde, Marina preferiu criar um partido a
ficar no PV. Se o PV tem, centralmente, a questão do verde, por que
Marina saiu? O que dizer de seu oportunismo, que a moveu para o PSB,
quando percebeu que sua candidatura pelo partido que criava poderia
ser inviabilizada? A preocupação com o futuro do planeta é
essencial, mas é impossível fazê-la de forma dissociada da
organização econômica e cultural da sociedade. Nesse ponto, tanto
o discurso de Marina quanto o do PV são criticáveis: eles dizem que
não importa se é socialismo ou capitalismo, desde que se leve
consideração o ambientalismo em qualquer decisão a ser tomada.
Oras, isso é um discurso... capitalista! Em outras palavras: há um
poder constituído, há uma sociedade injusta, há miseráveis, há
pobres e Marina (e serve também para o PV) não estão especialmente
preocupados com isso, desde que as decisões sejam tomadas levando-se
em consideração a questão ambiental. Adiante escreverei sobre a
Luciana Genro, e ali apresentarei um conceito bem mais aceitável de
cruzamento entre preocupação ambiental e desenvolvimento humano.
Retomando, sobre Marina, podemos então classificá-la como uma
candidata que defende o modelo capitalista financista, como existe
hoje no Brasil. Suas propostas de governo se assemelham às do PT,
igualmente envernizando o discurso de proteção ao sistema existente
com programas de combate às mazelas sociais. O que a diferencia,
para pior, é que sua campanha e viabilidade política é construída
se apoiando em figuras como Neca Setúbal e Guilherme Leal. A
primeira é uma das donas do Itaú, e como tal, milionária e
partícipe do topo da injusta pirâmide sócio-econômica brasileira.
E o segundo é o milionário dono da Natura, aquela empresa que alega
ser “sustentável” recolhendo seus produtos em mega-propriedades
na Ponta do Abunã, em Rondônia, empregando gente a salários
miseráveis e fazendo uma avalanche de propaganda para ganhar a
imagem de empresa “bacana”. A comoção social pela morte de
Eduardo Campos, além de tudo, a coloca em uma posição meio
messiânica, que, somada a sua religiosidade (de católica convertida
a evangélica), faz com que o eleitorado vote nela de forma
completamente cega. Há de se fazer muito malabarismo intelectual
para defender sua candidatura. E tem gente disposta a isso. O que vai
acontecer se Marina se eleger? Aparentemente, será uma mistura de
FHC e PT, com o controle da economia nas mãos de banqueiros, mas com
a continuidade dos programas sociais. Mas, na verdade, é IMPOSSÍVEL
prever. Se você está em dúvida, não vote nela. Sua campanha
custará 150 milhões de reais.
A candidatura da
economista Dilma é relativamente fácil de analisar. Mas a maioria
da população brasileira parece não se interessar por uma análise
que passe do superficial. Vamos ver: os programas sociais são
importantes e ajudam o povo? Sim. Reduziu a miséria e aumentou o
emprego formal? Sim. Cumpriu as promessas da última campanha? Mais
ou menos, tendendo para o mais. Algo foi feito para controlar os
lucros recordes dos bancos? Não. Algo foi feito para promover uma
distribuição justa das terras brasileiras? Não. Algumas mudança
ESTRUTURAL da sociedade brasileira foi feita? Não. A classe média
teve acesso aos produtos de consumo, ao modelo norte-americano que
tanto veneram? Sim! Então porque a candidata não aparece com 90%
nas pesquisas eleitorais? Porque a elite brasileira é detentora dos
meios de comunicação, das terras, dos bancos e da mentalidade dos
brasileiros. Da mentalidade, pois forjou-se, ao longo dos séculos,
uma naturalização da submissão, de que a população, em geral,
não pode participar diretamente da política. Que é preciso ter um
“patrão” nos cargos máximos das unidades federativas e da
nação. Ou seja, mesmo o governo Dilma tendo sido um governo para os
ricos (e em menor medida para a classe média, e em bem menor medida
para os pobres), a população em geral não mais concorda com a
manutenção de um governo de origem popular. O erro do PT foi não
APROFUNDAR as transformações. Ao se associar com partidos da
direita em nome da “governabilidade”, passou a se assemelhar a
eles. Não se destaca mais como alternativa popular viável, e sim um
partido como qualquer outro. Talvez o PT não tenha se dado conta,
mas a população já percebeu isso. Suas bases, especialmente nas
periferias e no interior dos estados pobres, ainda são muito fortes,
mas não se comunicam com a elite dirigente do partido. E a elite
dirigente do partido, certamente, não governa para suas bases. Quem
quer que tudo continue como está (e infelizmente essa é a maioria),
deveria votar nela. Mas muitos não o farão. Quanto a pessoa Dilma,
é uma gerentona. Personifica muito bem a fase atual do PT. Se o PT
perder, deverá passar por radicais transformações, e eu desejo
muito que a ala à esquerda do partido o retome. Há uma história
muito bonita, seria um grande desperdício maculá-la. O pior de
tudo: a campanha terá gastos de 300 milhões de reais!
O último candidato do
bloco dos NÃO VOTÁVEIS é o simpático médico sanitarista Eduardo
Jorge, do PV. A história do PV no Brasil é um tanto controversa. A
partir de uma preocupação genuína (a devastação do meio
ambiente) e de uma experiência estrangeira (a existência de PVs na
Europa e Oceania), o partido cresceu razoavelmente, tendo hoje quase
100 prefeitos, 1 senador, 10 deputados federais, entre vários outros
cargos e participações em governos. Essas participações raramente
são acompanhadas de respeito ao princípio básico do PV: o
compromisso em tratar das questões ambientais em todas as decisões
tomadas em seu governo. Além disso, o partido flutua ao sabor dos
ventos para se associar, aqui e ali, com diferentes faixas do
espectro político. É como se não soubesse muito bem como fazer a
política que se propõe a fazer. Para não ser injusto, procurei o
programa de governo e acabei me surpreendendo positivamente. É um
programa coerente com o Brasil de hoje, que mantém as estruturas
existentes, mas procura promover um desenvolvimento mais justo e
menos danoso ambientalmente. Propõe uma reforma política
interessante, incluindo a reformulação do legislativo para um
sistema unicameral. As políticas setoriais são bem razoáveis e
realistas. O problema principal é confiar em uma partido que também
serve como legenda de aluguel e sem compromisso de mudanças
estruturais na sociedade brasileira. Em suma, boa intenção, dentro
do sistema atual, não é suficiente. Quanto ao candidato Eduardo
Jorge, é uma figura aparentemente preparada, de passado socialista,
deputado constituinte pelo PT e posições sociais contemporâneas
(contra a crimininalização de drogas e aborto, por exemplo). A
campanha está orçada em 90 milhões de reais!
A partir de agora,
todos os candidatos são “votáveis” e, caso vencessem,
certamente a sociedade brasileira passaria por grandes
transformações. Alguns mais radicais, outros menos, mas todos
comprometidos com a parte de baixo da pirâmide, e não com a parte
de cima. Aqui há discussão ideológica, bem acima da discussão
“gerencial” de como “tocar” o Estado, como se fosse uma
empresa qualquer. Minha recomendação é que o leitor conheça cada
um desses candidatos (além da já citada Luciana Genro), suas
ideias, e procure ler mais sobre suas concepções do mundo. O nosso
“negócio” não é ganhar eleições (mas seria muito bom se isso
acontecesse), mas sim discutir qual mundo seria melhor para todos nós
e nossos descendentes. A ideia é despertar a curiosidade e o leitor
procurar, por sua conta, conhecer mais sobre as ideias que mais se
interessar.
Zé Maria é, pela
quarta vez, candidato a presidente do Brasil. É metalúrgico,
formado pelo SENAI. Seu partido, o PSTU, nasceu do PT. Seus quadros
foram expulsos quando apoiaram o movimento “Fora Collor”,
contrariando a direção nacional daquele partido. Desde então,
firmam-se como partido de esquerda, sem concessões direitistas. Sua
campanha não aceita doações de empresas e está limitada em 400
mil reais. Há pontos negativos? Sim, há! Muitas vezes não há
qualquer preocupação com o pragmatismo e as propostas são
puramente conceituais. Há, também, detalhes ideológicos que devem
ser discutidos à parte. Mas, mesmo assim, é um candidato (e um
partido) que deve aparecer mais, cujas ideias precisam ser
divulgadas. Selecionei três propostas que gosto, a seguir:
a) Romper com a dívida
pública (moratória). Tá certo! Hoje o estado brasileiro paga 44%
de tudo que arrecada para instituições financeiras e particulares
(milionários) que detém títulos da dívida, muitas vezes com
origem totalmente duvidosa, ou realizadas em condições
completamente prejudiciais para o país!
b) Estatizar o sistema
financeiro. Tá certo! Os bancos, no Brasil, são as empresas mais
lucrativas, sendo que não produzem nada. E não falo de lucros
eticamente aceitáveis, mas de dezenas de bilhões de reais, que são
conquistados pegando o SEU dinheiro, conquistado com muito suor, e
emprestando para VOCÊ, quando você quer comprar qualquer coisa.
Urge modificarmos isso!
c) Redução da jornada
de trabalho para 36 horas. Tá certo! O sistema capitalista se
fundamenta na exploração do trabalho. Se aumentarmos a quantidade
de horas livres para o trabalhador, não modificará em nada a
produtividade do país e a sociedade vai avançar como um todo,
valorizando a educação, o esporte, as artes, etc.
O jornalista Rui Costa
Pimenta é o candidato do PCO. Esse partido classifica essas
eleições, nos moldes atuais, como uma farsa burguesa. O que não
deixa de ser verdade! As pessoas pensam que estão participando da
“festa da democracia”, sendo que sua participação se resume a
apertar dois botõezinhos em uma máquina para escolher, entre
algumas figuras que aparecem na televisão, um chefe de Estado. Então
escolheram participar apenas para ter a chance de divulgar seu
programa e suas ideias. No topo de suas preocupações está a
necessidade de criar condições para realizar a revolução
socialista. Mas há, sim, um programa de governo com propostas
voltadas para a população excluída, a enorme massa de
trabalhadores, os negros, os índios e todas as comunidades
esquecidas e alvo de preconceitos. Há problemas? Sim, há! As
posições ideológicas do partido são bem discutíveis, além de
seus procedimentos e o sectarismo (nem os militantes se dignam a
militar com os demais companheiros socialistas). Entre suas
propostas, além das que Zé Maria também defende, acrescente-se,
por exemplo, o salário mínimo de R$ 3.500,00 e o imposto único
para o capital e grandes fortunas. Mais do que justo! As pessoas não
se escandalizam quando um único mega empresário ganha mais de 10
bilhões de reais em um ano, então porque deveriam se escandalizar
em um salário mínimo que pagaria, “malemal”, as necessidades
básicas para uma vida decente? Logicamente não será possível
fazê-lo de uma hora para outra, mas é plenamente viável. Na
Austrália esse valor seria de R$ 6.300,00 (lá é contado em horas).
Na França é R$ 4.600,00. Na Turquia, pasmem, esse valor é de R$
2.100,00. Aqui, só pra lembrar, é R$ 724,00. Quanto ao imposto
único sobre o capital e grandes fortunas, nada mais justo! O Estado
existe para promover a justiça, então tiramos do que tem mais para
prover ao que tem menos. Ou então abandonamos essa estrutura e
voltamos à barbárie (que é o que os neoliberais de direita parecem
desejar).
O professor Mauro Iasi,
formado em história, mestre e doutor em socilogia, é o candidato do
PCB. O bom e velho partido comunista, em sua versão verdadeira (o
tal do PC do B hoje em dia é um pastelão) continua firme na
proposta de construção de uma sociedade socialista, porém
atualizando esses ideais com base, por exemplo, nos acontecimentos de
junho/2013 no Brasil e em outros movimentos populares que pipocaram
(ainda pipocam) mundo afora. Seu programa é construído a partir de
5 eixos: um programa anticapitalista para desmercantilizar a vida; a
necessidade e a urgência de uma alternativa socialista para ganhar a
vida; a construção de um poder popular; garantir e avançar os
direitos da classe trabalhadora; o papel do Brasil para um mundo sem
guerras imperialistas e sem opressão. Recomendo fortemente que as
pessoas leiam esse programa com a mente aberta e sem pré-conceitos.
O documento na íntegra está no link a seguir. Seria, certamente,
meu candidato, se eu não votasse na Luciana
Genro.
Finalmente, concluo observando que esse texto tem quase seis páginas tamanho A4, com espaçamento normal entre as linhas. E é apenas uma justificativa resumida do meu voto, que perpassa esses temas e outras preocupações e - para quem quiser conversar mais longamente sobre o assunto - ainda carrega alguma insegurança. Ficaria muito feliz se todas as pessoas tivessem a mesma preocupação com uma decisão de tal importância. E, mais ainda, se cada pessoa dedicasse uma parcela de seu tempo para pensar (e agir) na coletividade - política nada mais é do que isso.

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