"A nossa sociedade contemporânea interpreta tudo sob uma ótica individualista, e isto é fato que pode ser comprovado em todos os momentos, saindo de casa, e assistindo a televisão. Por exemplo, você toma o ônibus todos os dias no mesmo horário, com as mesmas pessoas, o mesmo motorista e o mesmo cobrador. E nunca se interessou em perguntar seus nomes, isso se você sequer os cumprimenta. Outro exemplo são esses programas de “realidade” (Big Brothers), onde a individualidade de cada um é exposta, e todos agem contra todos.
Infelizmente, na nossa profissão, acontece o mesmo. Mesmo se tratando de uma profissão humanista, onde a compreensão da sociedade é um fator importante, a visão individual (e até uma vaidade exacerbada) é lugar comum entre os profissionais. E, pior ainda, dentro das universidades, o espaço onde a formação social do cidadão e do profissional é realizada, também vivemos esse processo.
Estamos vivendo no Brasil um período de “anti-culturalização neoliberal”, onde todas as atividades passam a ter seus objetivos finais voltados ao fator econômico, mesmo as atividades que deveriam ser objetivadas como unicamente social. A saúde, o ensino, as comunicações, enfim, quase tudo... Esse interesse é imposto pelas nações dominantes, para continuarem sendo dominantes, e tomado emprestado pelas elites locais, para continuarem sendo as elites.
Tendo esses dois pontos fixados, chegamos ao nosso caso específico. A UNIBAN é um reflexo óbvio do ensino sendo regulado pelas leis de mercado, onde os cursos são navegados pelo lucro. Não é compensador o curso X, no campus Y? Feche-o. O curso Z no campus W tem alta procura? Aumentem as vagas, mesmo que a sociedade não exija tais profissionais.
Os alunos também são parte deste perfil. A preocupação única da maioria é apenas atingir a formação (pegar o diploma). Não é importante crescer como cidadão, como ser humano ciente das suas responsabilidades sociais. Podemos comprovar enumerando os movimentos em prol da melhoria do ensino e da estrutura acadêmica, que são deficientes. Nenhum? Quase nenhum? Isto é uma prova do individualismo brutal que nossa sociedade está se acostumando.
O nosso modo de projetar também será reflexo dessa ótica, nos rendendo a estas imposições. Diferentemente de todo o histórico contestador da arquitetura e urbanismo (profissional e academicamente).
Enfim, a nós, que conseguimos manter uma visão minimamente coletiva ou social, pouco influenciada pela mídia (pertencente às elites), resta elaborar esses manifestos e alertar a maioria das pessoas. E não nos rendermos à força e à imposição de transformarem-nos em uma massa de seres idênticos, com pensamentos idênticos, igualmente dominados pelo poder, e ao mesmo tempo acreditando viver como um ser livre, com seus direitos reservados e sua individualidade respeitada..."
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