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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Minha casa na favela

Mais uma vez venho divulgar um texto do brilhante Arqº Henri Michel Amaral Lesbaupin. Da última vez, o tema do artigo era a história do urbanismo. Dessa vez, Henri usa sua experiência nos trabalhos de urbanização de favelas para tratar de seus aspectos urbanísticos em termos comparativos.

Tive a oportunidade de elaborar um post sobre o assunto, no qual compartilho com sua visão otimista do "viver na favela". Todos os termos pejorativos devem ser evitados. A comparação com destinos turísticos muito festejados (e caros) é proposital, tem um fundo estético mas também um fundo ético, quase psicológico.

O texto de Henri, claro, é bem melhor que o meu. Mas as ideias são as mesmas. Abaixo segue um excerto, mas o artigo completo você lê aqui. Se não funcionar, tente aqui.

"...na maioria das favelas, a arquitetura é assim: é obra dos moradores e resulta da necessidade de abrigo, da disponibilidade de recursos e da inventividade para conquistar os espaços...
São uma arquitetura e um urbanismo que não precisaram de arquitetos. Constituíram-se sem projeto. Resultam do possível. Não provém do desejo, mas da necessidade.
De fato, quando nos despojamos de preconceitos, conseguimos perceber que esse urbanismo é similar ao remanescente das originais Paraty ou Sabará e àquilo que permaneceu das nossas cidades coloniais. É um urbanismo que a gente descobre também nas vielas de cidades medievais e em lugarejos como os da costa amalfitana na Itália ou nas ilhas gregas.
Nós, arquitetos, não temos sido capazes de criar isso. Conseguimos sim, intervir depois, quando aparece a necessidade da adequação desses ambientes construídos, para o benefício do homem contemporâneo. Foi por obra de equipes integradas também por arquitetos que Ouro Preto, Positano e Santorini, para citar apenas esses, se tornaram lugares de encantamento, inspiração e transcendência."


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