Esse ano de 2011 foi totalmente atípico para a categoria dos arquitetos, bem como será o ano de 2012 que se aproxima. A mudança mais radical e presente na vida de todos arquitetos militantes foi a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), com a saída do sistema Confea / Crea. Não assinaremos mais ARTs e sim RRTs, entre tantas medidas cotidianas já estabelecidas em lei - e outras que ainda serão normatizadas, com a efetiva instalação do Conselho Federal e Conselhos Estaduais. Há uma expectativa muito grande, visto que é uma batalha de décadas a superação do sistema multiprofissional. Agora, caberá aos eleitos implantar não apenas um Conselho que efetivamente fiscalize a profissão, mas também trabalhe para valorizá-la. Há muita confiança (que será transformada em cobrança - pode crer) nos profissionais eleitos, identificados, em grande parte, com a ala mais progressista da política sindical, profissional, institucional. No entanto, me parece que alguns vícios das entidades que estão na base do Conselho (IAB, FNA, ABEA, AsBEA e ABAP) estão sendo repetidos. A formação de chapas completas, por exemplo, reduz a possibilidade de participação. Exige do profissional uma presença assídua nas rodas políticas da entidade.
Nesse sentido, fiz uma brevíssima compilação de motivos que torna essa presença quase impossível para a maioria dos associados, descritos a seguir:
1- distância física (eu, por exemplo, moro em Pirassununga, que pertence não sei a qual Núcleo do IAB, se São Carlos, Ribeirão Preto ou Campinas - todas entre 80 e 120km de distância);
2- desconhecimento institucional, ou seja, muitos associados não sabem exatamente como participar dos processos consultivos ou decisórios, ou mesmo como participar de QUALQUER coisa relativa à entidade. Eu mesmo já escrevi aqui sobre a decepção que tive após a participação em um grupo de trabalho do IAB;
3- círculos viciosos. As entidades apresentam uma repetição incrível de nomes em cada gestão. Parece que entre os 100.000 arquitetos brasileiros (e mais de 40.000 paulistas) não existem personalidades suficientes para que haja um debate mais amplo, uma alternância de poder ou mesmo uma disputa mais múltipla para as cadeiras de cada uma das entidades;
4- formação política quase nula nas faculdades de arquitetura, que não preparam os recém-formados para a participação nas próprias instituições profissionais - e preparam menos ainda para o questionamento sobre os rumos da profissão, do país e da sociedade como um todo.
Além desses motivos principais, poderíamos adicionar outros menos relevantes ou menos comuns, mas é fato que o arranjo pode (e deve) ser melhorado e inclusivo.
Ainda na temática de eleições, outras entidades foram ao pleito nesse ano. O sistema Confea / Crea, do qual brevemente não participaremos mais, passou por um complicado e controverso processo eleitoral, do qual saiu vencedor o candidato que menos propunha integração com o novo Conselho dos arquitetos. Tivemos direito a participar dessa eleição, mas muitos colegas preferiram não participar com o justo argumento que não devemos interferir nos rumos do Conselho de outra profissão, para ser coerente com nossa demanda histórica, de gerir os rumos de nossa própria profissão.
Outra entidade em processo eleitoral é o IAB-SP. Recebi o mailing institucional com todo o regimento eleitoral (o que considero positivo, porém incipiente). Mas não recebi mailing informando sobre as chapas inscritas, sobre a comissão eleitoral, e sequer recebi a relação dos Núcleos aptos a receber votos! Oras, após tanta discussão sobre o processo democrático no Confea / Crea, após a criação no CAU, e a eleição na entidade não merece sequer uma nota no próprio sítio da rede mundial? Particularmente, acredito na força e no "peso" histórico do IAB, especificamente esse Departamento de São Paulo, bem como acredito em muitos dos nomes que estão na atual gestão, com quem já tive o prazer de trocar duas ou três palavras e ler alguns textos. Mas isso não reduz a importância da AMPLA DIVULGAÇÃO. É uma obrigação da entidade - informar os sócios! O IAB poderia aprender com o sistema SASP / FNA (o sistema sindical dos arquitetos paulistas), que mesmo não sendo perfeito, sabe se comunicar com seus filiados (parece que o 35º ENSA foi muito bem). ATENÇÃO: LER AO FINAL DO POST UMA ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE!
Finalmente, um assunto mais ameno porém parcialmente decepcionante: a nonaBia, ou 9ª Bienal de Arquitetura de São Paulo. Em alguns aspectos a Bienal esteve muito bem. A nova sede é muito adequada para as dimensões das mostras, com espaços bem distribuídos, possibilidades cenográficas interessantes e percursos ótimos para a visitação em um único dia. Algumas mostras foram especialmente bacanas, como a da Noruega (fotos no final) e da Arquitetura Não-Solicitada (que detona um arsenal de novas ideias). Por outro lado, fiquei muito decepcionado com a Exposição Geral de Arquitetos, montada pobremente, pouco numerosa e com qualidade abaixo do que esperava (opinião MINHA). Dá pra melhorar! Que a décima seja mais questionadora no campo social, mais inovadora no campo formal e que tenha uma apresentação mais instigante.
Para encerrar, quero deixar meus parabéns para os colegas arquitetos Lucas Barros, Alessandro Pinheiro, Vanessa D´Auria, Diego Alencar e Chris Kizzy, que realizam uma exposição muito interessante na sede da Bookstore, do simpaticíssimo Toninho. Que venham outras: expos, fotos, ideias, projetos!!! Um 2012 perfeito para todos.
Para encerrar, quero deixar meus parabéns para os colegas arquitetos Lucas Barros, Alessandro Pinheiro, Vanessa D´Auria, Diego Alencar e Chris Kizzy, que realizam uma exposição muito interessante na sede da Bookstore, do simpaticíssimo Toninho. Que venham outras: expos, fotos, ideias, projetos!!! Um 2012 perfeito para todos.
ATUALIZAÇÃO DE 19/12/2011:
O IAB-SP na verdade remarcou o processo eleitoral. A conclusão se dará em janeiro. Portanto aguardem notícias referentes ao pleito.
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