O título é forte mas é preciso. O projeto de reurbanização da Luz é excludente e centralizador. Em tempos de faculdade sonhava na transformação da Rua Santa Ifigênia em um calçadão, com a reformulação da Praça Alfredo Issa, incluindo a saída da garagem da polícia ali instalada (bloqueado o espaço dos transeuntes). A ideia era incentivar o pedestrianismo sem excluir o trânsito de veículos, o que atende tanto aos visitantes, como aos moradores e os comerciantes. Mas a ideia era manter os usos, pólos comerciais (meca do eletrônico, meca dos instrumentos musicais, meca das gráficas, etc) e as residências acima do primeiro pavimento.
Aí os governantes de plantão resolveram olhar para aquela região. Mas o foco deles foi implantar um "pólo cultural". Bom, algumas edificações de grande porte se prestam muito bem a isso, então a primeira impressão foi boa - mesmo que a Sala Júlio Prestes (por exemplo) seja extremamente elitista, apesar de ser um local público.
Mas estavam apenas preparando o campo. No decorrer dos anos a população foi sendo expulsa, desapropriada, desocupada. O comércio continua vibrante, popular - é um foco de resistência, ainda não vencido. Porém as demolições estão em curso e o governo aguarda, enquanto vai anunciando coisas como a transformação da antiga estação rodoviária em um centro de dança.
Porque não distribuir os institutos culturais pela periferia? Porque não ocupá-los? Porque não manter apenas alguns pontos específicos centrais, visitáveis de forma conectada, afim de atender o turismo?
Por que o interesse do governo não é a cultura. É o dinheiro - é atender os especuladores / incorporadores.
Todas as respostas estão nesse site. A leitura é altamente recomendada e agradável, há vídeos, imagens, textos, etc. Vale a pena ler... e se indignar!
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