Em resposta ao Blog do Odir, sobre um texto contra a construção de um estádio para o Santos FC em Cubatão (assinado por Tana Blaze), redigi rapidamente essa resposta, que deixo aqui no blog para ficar registrada.
"Discordo! E argumento, a seguir!!!
Sobre o exemplo do Palmeiras
Também estou de acordo com a atual gestão do clube no compromisso de saneamento das finanças. É uma condição primordial para fazer negócios, oferecer garantias e perenizar o patrimônio e as conquistas esportivas.
No caso específico do Palmeiras, que possuía apenas o terreno bem localizado e o potencial da torcida, o negócio com a WTorre, nos termos bem explicados no item 1, era a ÚNICA alternativa. O Santos não precisa seguir o modelo, pois possui outros potenciais. Pois: a)está sediado em região turística; b)possui reconhecimento internacional de primeira grandeza; e c)será o primeiro clube com gerenciamento progressista, assemelhado às empresas mais modernas nas práticas administrativas e financeiras.
Sobre a localização, independentemente de ônus
A localização é importante, claro, mas também fazendo uso das estratégias imobiliárias de incorporações, há duas possibilidades a considerar.
Uma é aproveitar alguma localização ótima pré-existente, PAGANDO o preço por isso – e ainda disputando os terrenos com as incorporadoras concorrentes. Em Santos e São Paulo já é válido demolir prédios baixos para construir mais altos no local, ou seja, é o mesmo que comprar ações na “alta”.
Outra possibilidade é CRIAR demanda, construir o “novo”. Os empreendedores imobiliários fazem isso com muita frequência, elegendo lugares, investindo em propaganda, renomando bairros, para ser “the place to be”. Nesse sentido, seria preciso realizar uma incorporação realmente vultosa, que inclua não somente o estádio (e seus anexos), mas também a qualificação do lugar, do bairro.
A RMSP (Região Metropolitana de São Paulo) possui 19 milhões de habitantes, 11 deles na capital. A RMBS (Região Metropolitana da Baixada Santista) possui 1,6 milhões, sendo apenas 430.000 em Santos. Claro que a primeira é um mercado maior, os números respondem essa dúvida. Mas o potencial de crescimento da RMBS é enorme, a cidade de Santos detém o terceiro melhor IDH do país, é um centro universitário e um polo turístico que ainda pode ser incrementado e valorizado. O Brasil recebe menos turistas estrangeiros do que a Colômbia, o Peru, a Argentina... Se Santos entrar, definitivamente, na lista de destinos turísticos (e tem potencial para isso), o estádio seria um atrativo obrigatório. Vejam o exemplo do Boca Juniors, cujo estádio atrai hordas de turistas diariamente, mesmo não sendo grandes coisas!
Além disso entram valores que são muito particulares. Porque o Santos, que carrega o nome da cidade, deveria se afastar tanto da mesma?
Sobre as vantagens estratégicas
Aí concordamos quase integralmente. O Itaquerão perde justamente por localizar-se em bairro distante e pouco atrativo (assim como Diadema perderia, assim como qualquer lugar no eixo da Imigrantes – Anchieta do planalto também perderia). O Morumbi por ser antiquado. Sobra o Parque Antártica, esse sim muito bem localizado e agora reconstruído de acordo com conceitos multiuso. A concorrência com esse último é um motivo a mais para insistir que o estádio não se localize na capital. NÃO EXISTE terreno bem localizado o suficiente para concorrer com o Parque Antártica. Pelo menos não com as dimensões necessárias e preço viável. Um terreno bem localizado em SP custaria entre R$ 6 mil e 12 mil o metro quadrado. O nosso concorrente tem aproximadamente 80.000 m2. Ou seja, precisamos de aproximadamente 800 milhões de reais para concretizar esse negócio. Que exigiria anos para ser concluído (tendo em vista a dificuldade prática para localizar o terreno e depois efetuar a compra, no mercado disputado que é SP). No mais, convido-os a sobrevoar a capital via Google earth, especialmente as redondezas da estação Santos-Imigrantes. Se localizarem algum lugar com as condições necessárias para a construção de estádio, postem aqui!
Com relação à arquitetura, creio que há várias inovações possíveis e todas elas devem ser adotadas. O gramado rolante, por exemplo, poderia ser substituído por um piso sobre o gramado, que, no entanto, não se apoia sobre o mesmo. É possível, até, que parte da audiência seja móvel, voltando-se para a parte externa do estádio e assim permitindo que essa audiência acompanhe competições náuticas. Isso não há em nenhum estádio do mundo, concordam? ;)
Adicionalmente ao estádio e aos eventos que reúnem milhares de pessoas, o conceito de multiuso deveria incluir outras funções. Primordialmente, creio que devem ser incluídas funções esportivas. Espaços para prática e competições dos mais variados esportes deveriam fazer parte do complexo. Além, é claro, das atividades náuticas que tornariam o estádio do Santos em um caso ÚNICO no mundo. Sem olvidar-se de hotéis, shoppings, estacionamentos e apoios diversos. É possível, ainda, incluir um centro empresarial, edifícios habitacionais para diversos públicos e bolsos. E a cereja do bolo seria uma estação, de um futuro sistema de transportes sobre trilhos que ligaria as duas regiões metropolitanas.
Sobre “nada fazer”
Concordo em um ponto: se é pra fazer algo pequeno e pontual, melhor nada fazer. Também acho que se tornaria uma herança ruinosa para um município já cheio de problemas. O que proponho só coincide em uma coisa com as notícias atuais: a localização. Pois acredito que o projeto a consolidar deve ser OUSADO, em caixa alta, letras garrafais e piscante. Do contrário ficamos com a Vila Belmiro.
Mas como fazer?
Um projeto desse porte, tem apenas como base a necessidade do estádio e a existência do Santos FC. Mas é um projeto político, de grande envergadura, que deve envolver em grande medida todas as esferas governamentais e grandes incorporadores. Não é necessário, mas ajudaria a oportunidade de um “mote”. Já que perdemos o bonde da Copa 2014 (era o momento ideal), é pleitear os Jogos Pan-Americanos de 2023, ou algo do tipo."
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