É impossível não se emocionar com uma história tão trágica, na qual 233 (ou mais) jovens perderam suas vidas. São inúmeros sonhos particulares e coletivos que se foram. A cada história individual se somam histórias de familiares, amigos e conhecidos. E cite-se ainda que além dos 233 falecimentos confirmados, há mais de uma centena de pessoas em hospitais ou em casa, com doses cavalares de cianureto no corpo, necessitando de tratamento contínuo e cuidadoso.
Na minha opinião, o mais grave desse acontecimento é o fato de que a maioria das vítimas eram jovens e estudantes. Pessoas que estavam se preparando para ser o futuro desse país. Esse mesmo país que há décadas é chamado de "país do futuro" e enfrenta um crescimento poucas vezes visto. E o mesmo país que exporta executivos de alto gabarito, com grande formação e uma forma de trabalhar que é vista com empolgação pelos acionista ávidos por maiores dividendos.
O que acontece com os empresários, empreendedores executivos e - por que não - brasileiros em geral?
O tal "jeitinho brasileiro" é essa característica, essa forma de trabalhar, que encanta os amantes do lucro. Todos nós, brasileiros, sabemos bem do que se trata. É a gambiarra, é a "vantagenzinha" particular, é o ajuste feito de qualquer maneira, é a adaptação mal feita... tudo que é feito quando há algum impedimento, algum "intercalço"...
Com algum frequência vemos no noticiário tragédias com mortes coletivas. O problema é quando percebemos que a tragédia poderia ser facilmente evitada. Especialmente em um caso tão simples, tão banal como esse. São conclusões muito óbvias, como excesso de pessoas no ambiente, material inflamável constituinte em locais inadequados, limitada ventilação natural, saída insuficiente, falta de treinamento dos funcionários, inadequação da edificação ao uso, entre tantos outros itens óbvios. Não é preciso ser profissional da área para perceber isso tudo. Mas ignoram os ricos todos os adoradores do lucro, os puxa-sacos de plantão, os relapsos (ir)responsáveis pela fiscalização e outros corruptos / corruptores quaisquer.
Nós, brasileiros que não concordamos com isso, devemos tentar ser exemplo no combate ao "jeitinho brasileiro". Chega de gambiarra, de adaptações, de pequenas corrupções, de furar fila, de troca de favores...
Nós, arquitetos e demais profissionais da construção civil, temos que combater os contratos precários, a concorrência desleal, a irresponsabilidade profissional, os "canetinhas"...
Melhor do que ser o "país do futuro" ou um país rico sem escrúpulos é ser um lugar onde se possa viver em paz. Ou apenas viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário