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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Todos somos iludidos

Minhas leituras não são muito organizadas, sistemáticas. Mas dentro de minhas limitações intelectuais tento entender o melhor possível os grandes autores e suas explicações para o mundo e para o ser humano enquanto sociedade. E entre tudo que já li, o que mais me impressionou (e impressiona) é a teoria/crítica da Sociedade do Espetáculo, escrita e depois filmada por Guy Debord.


Basicamente, trata-se da submissão do indivíduo, mas de forma coletiva, social, ao espetáculo. A própria noção de sociedade torna-se contraditória sob essa submissão.

E o que seria, vulgarmente, o espetáculo? É toda a organização social que vem sendo construída dentro dos sistemas que tenham na base o econômico, do capitalismo aos comunismos de estado já testados na história. Essa organização social que colocou o consumo e o trabalho no topo das necessidades humanas.
É o parecer, que ocupa o lugar do ter, ao invés do simplesmente ser. Na fase anterior da dominação, puramente econômica, era importante ter. Na fase atual, além de ter, é importante parecer. E dane-se o "ser".

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O que machuca ao ler Debord é perceber que estamos todos igualmente iludidos. Nossa cultura ocidental nos induz a uma vida e a valores completamente invertidos.

No fim das contas, se partirmos desses princípios, mesmo sem se aprofundar teoricamente, é possível multiplicar a ideia para todos os aspectos da vida. Além do trabalho e do ato de consumir, estão distorcidas as relações com o desconhecido, a noção de simpatia/antipatia com outrem, a estética (assunto muito trabalhado por Debord), e mesmo o amor.

A principal proposta de rebeldia contra a sociedade do espetáculo, de rompimento com a estrutura social que nos engana, é assumir o ócio. Afinal, o trabalho alienado é a principal instrumento de controle dentro dessa estrutura.


É angustiante ter que acordar todos os dias quando se percebe isso tudo. Não à tôa, Guy Debord se suicidou em 1994, com sessenta e poucos anos, após um diagnóstico de cirrose incurável causada pelo alcoolismo.



O filme completo, com legendas em espanhol.


A parte 1 em português (o Youtube vai indicando as seguintes).







Ah, resolvi escrever esse post pois todas as vezes que a mídia se aproveita de um caso de tragédia eu lembro de Debord. A comunicação em massa é um efeito colateral da sociedade do espetáculo, mas é uma de suas faces mais visíveis...

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