Em pleno 2013, tempo de manifestações da juventude, politização (mesmo que superficial) e luta por aceitação das diferenças. Em 2013, tempo de combate aos preconceitos. Dois mil e treze, tempo de internacionalização da Universidade, do auge histórico da pesquisa brasileira, do reconhecimento da importância da USP...
Em 2013, ainda existe o trote e a opressão ao calouro.
Por mais que se diga "o trote não é violento", "não obrigamos ninguém a participar", "é tudo só brincadeira", o conceito embutido no trote não desaparece. Essa humilhação, essa subserviência obrigatória que os "bixos" devem se submeter aos "veteranos" é algo que atravessará não apenas o tempo em que o estudante frequentará a graduação (quatro, cinco ou seis anos). É algo para toda a vida.
Há uma hierarquia obrigatória entre "bixo" e "veterano" que continua válida desde o primeiro ano até depois de formado. Há o conceito de propriedade do "bixo" ("esse é meu bixo"), a precedência do veterano ("veterano X é que me deu o apelido, ele me protege"), a hierarquia imutável ("veterano Y não me zoa, pq sou amigo de Z, que é veterano de Y"). Toda essa estrutura atravessa os níveis da graduação, da pós e entra na docência, na direção, etc. Quem saberá como funciona a Congregação (ou mesmo outras instâncias menores) dentro de uma unidade na qual TODOS professores e alunos passaram por esse processo? Quem garante que essa hierarquia não perdura até os nível mais altos da carreira docente (e nos concursos)?
Mas nada disso importa, quando obrigam um garoto com perfil psicológico menos indicado para essa realidade a participar. O resultado é a violência, como narra essa notícia recente. E ainda bem que ninguém se machucou.
Passou do tempo de ACABAR toda e qualquer forma de trote. O nome "trote" deve acabar. A recepção dos calouros deve ser festiva, positiva. Os calouros devem, sim, ser cobrados: mas nos aspectos de produtividade, de qualidade de seus estudos. Aliás, devem ser "bombardeados" de informação sobre a responsabilidade de estudar em uma escola pública. Mas jamais ser humilhados.
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