Devo iniciar esse pequeno texto pedindo desculpas pelo uso de termo tão chulo, já no título. Mas nenhuma palavra é melhor indicada para descrever o fato (ou ato) a seguir.
Conforme pode ser observado aqui, a Universidade de São Paulo decidiu erigir um Monumento em homenagem aos mortos e cassados no período entre 1964 e 1985. O nome correto que deveria estar grafado na placa, segundo o Núcleo de Estudos da Violência (o "dono" da obra), é "Monumento em Homenagem aos Mortos e Cassados durante o Regime Militar". Mas a empresa escreveu "na Revolução de 1946" no lugar de "durante o Regime Militar".
Pela ordem. Antes de tudo, ambas as escolhas parecem provocativas. Por um lado, denominar o evento ocorrido em 1964 de "Revolução" é, de fato, negar a existência de uma ditadura, de uma fase da história de nosso país em que não houve democracia, mas sim repressão ao livre pensamento, tortura e violência. Ainda mais na USP, cujo DCE (Diretório Central de Estudantes) denomina-se Alexandre Vanuchi Leme, em homenagem ao estudante morto por esse mesma ditadura. Um foco de combate contra aquele sistema.
Por outro lado, erigir um monumento de homenagem aos mortos durante o regime militar pode parecer uma provocação anacrônica aos militares de hoje. Haveria mais rigor (científico?) caso adotassem o nome correto: "homenagem aos mortos e cassados na Ditadura 1964-1985". Eram militares, é claro, mas o que se combatia não eram os militares em si, mas a ditadura! Não há tortura por haver militares no poder, mas há tortura por haver uma ditadura. Entretanto, denominar "homenagem aos mortos na Revolução" é um erro, enquanto não o é a denominação "homenagem aos mortos durante o Regime Militar".
Se o nome real estivesse escrito desde o início, não haveria qualquer reclamação e a obra seria muito festejada. Mas, pelo erro, assumiu proporções midiáticas. E daí o título desse artigo. Uma pequena "cagada", de alguém (seria o engenheiro fiscal? o engenheiro residente ou o comprador da construtora?), daquelas que acontecem de vez em quando em nosso cotidiano. O pensamento dos envolvidos deve ter sido: "ah, é só a placa de obra, ficará lá apenas três meses e o que importa é identificar a fonte do recurso, os responsáveis e o prazo da obra". E a pequena "cagada" repercutiu até nos jornais.
Oras, que arrumem!
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