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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Intelectuais inspiradores

Vivemos em uma sociedade de ídolos pobres, eticamente e intelectualmente. São esportistas movidos à mega salários, cantores ou cantoras sem talento ou artistas (com o perdão da palavra) de televisão. O nível é cada vez mais baixo, a ponto de um participante de um vulgar reality show poder ser considerado ídolo.

No entanto, há intelectuais brasileiros que tem um percurso digno, uma história coerente e sempre voltada para a coletividade. Intelectuais que se preocupam com a acessibilidade de suas obras, escrevendo livros de fácil entendimento e produzindo material bem diversificado.

Nosso país teve a honra e o mérito de ser a inspiração e a motivação de figuras como Milton Santos, o genial geógrafo da urbanização terceiro-mundista. Um exemplo de pensador desvinculado de compromissos políticos partidários. Terra de Darcy Ribeiro, o antropólogo - sociólogo que enxergava na educação o caminho para a superação do subdesenvolvimento. Um homem de várias qualidades, romancista e político, a um só tempo. E também de Affonso Eduardo Reidy, um arquiteto funcionário público, agindo como técnico, argumentando com sua chefia política no sentido de adotar as soluções mais éticas, mas eficazes, para a solução dos problemas urbanísticos e arquitetônicos.

Entre os intelectuais vivos, alguns se destacam na minha formação, seja como profissional da arquitetura, seja como ser pensante e preocupado com o mundo que me cerca. Vou citar três aqui, sendo que dois deles estarão presentes em um evento cujo cartaz está no final desse post.

Oscar Niemeyer, o arquiteto mais conhecido do Brasil. Além de excelente artista é um intelectual responsável. Coerente a ponto de ser considerado anacrônico, nos ofereceu várias histórias de desapego. Há  grande quantidade de projetos gratuitos realizados para pobres, alguns funcionários, outros apenas conhecidos, projetos dos quais não ouvimos falar. Essa atividade vem junto com sua inabalável crença no comunismo, na igualdade entre os indivíduos. E tudo se vincula às suas obras, ao seu trabalho.

Tomei contato com José de Souza Martins apenas na graduação em Geografia. Tive de resenhar "O Cativeiro da Terra" para uma disciplina. O livro é um pouco descontínuo, pois trata-se de uma coletânea de artigos re-organizados. Mas isso acaba facilitando a compreensão da situação descrita. José de Souza Martins não abandona sua rebeldia para escrever um texto ou um livro. É possível sentir suas origens não elitistas, mesmo sem perder o rigor acadêmico. Tenho procurado mais de José de Souza Martins e não me decepciono jamais.

O último que citarei nesse rápido post é Alfredo Bosi. Imortal da Academia Brasileira de Letras, professor de Literatura na FFLCH-USP, é outro homem de várias habilidades: além de seu trabalho como professor e acadêmico, também é escritor de qualidades reconhecidas. Além disso, tem papel destacado na luta pela Universidade pública, gratuita e de qualidade.

Esses dois últimos estarão presentes no Seminário Internacional sobre Sociologia e Esperança. A programação está aqui:



Conferências:
18 de outubro (Terça-feira):
Manhã: Coordenador: José de Souza Martins
09:45h – Abertura: Maria Arminda do Nascimento Arruda (Pró-Reitora de Cultura e
Extensão da Universidade de São Paulo) 
10:00h – Conferência de abertura: Peter Burke (Universidade de Cambridge), 
Tem a Esperança uma História?

Tarde: Coordenadora -  Fraya Frehse
14h30h – José de Souza Martins (Universidade de São Paulo), 
A crise da esperança na crise da Sociologia
16:00h – Suzanna Sochaczewski (Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Sócio-Econômicos), 
O proletariado e a esperança: tendências no sonho da boa vida

19 de outubro (Quarta-feira):
Manhã: Coordenador – Caio Liudvik
09:00h – Alfredo Bosi (Universidade de São Paulo), 
Economia e Humanismo: A esperança em ação do Padre Lebret 
10:30h – Fraya Frehse (Universidade de São Paulo), 
As u-topias do pensamento sociológico

Tarde:  Coordenadora – Marilia Pontes Sposito
14:30h - Maria Lúcia Pallares-Burke (Universidade de São Paulo e Universidade de
Cambridge), 
Reflexões sobre a desesperança e o fracasso 
16:00h - José Machado Pais (Universidade de Lisboa),
A esperança em gerações de futuro sombrio

20 de outubro (Quinta-feira):
Manhã: Coordenador – José de Souza Martins
09:30h – Graham Howes (Universidade de Cambridge)
Fontes sagradas e seculares da esperança para um século pós-moderno?

Prédio de Filosofia e Ciências Sociais (FFLCH-USP) – Cidade Universitária – Sala 14
Patrocínio: 
Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo;
USP – Pró-Reitoria de Cultura e Extensão; 
Programa de Pós-graduação em Sociologia (FFLCH-USP)

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