Esse interessante quadro possibilita algumas deduções interessantes sobre o eleitorado de São Paulo. Consideramos, inicialmente, que o PSDB, através do Serra, é o candidato neo-conservador. É o representante de alguns estereótipos: a classe média que lê Veja e assiste Globo, os empresários (nem os muito grandes, nem os muito pequenos), o pessoal "universitário" que quer distância de pobre (e odeia o Lula, denominando-o analfabeto) e outras espécies de reaças "esclarecidos" (ou reaças não-assumidos, que tal?).
Depois, consideramos que a antiga esquerda com grande penetração nas periferias seria representada pelo Haddad. Obviamente há uma mudança em curso no espectro político nacional, levando o PT da esquerda para o centro. Dentro do partido ainda há um corpo de esquerda, mas as práticas estão mais relacionadas à tradição centrista. Assim, Haddad sofre porque não agrada mais ao "povão" sub-representado na política, nem é candidato com grande apelo à classe média. Está no meio disso, bloqueado pela própria transição do partido.
O candidato Russomano é a figura clássica da Vila Maria, um tipo de político que São Paulo surpreendentemente cria e recria ao longo do tempo. É a reencarnação do Ademar, do Jânio. É um Brasil Vita, um Salim Curatti, um Wadih Mutran, mas mais jovem, com alguma grife, midiático. É algo que não deveria existir.
E infelizmente essa pesquisa ignora os outros candidatos, portanto não saberemos se já há alguma consciência do surgimento da nova esquerda (por exemplo o PSOL), ou do discurso da política "nova" da Soninha, por exemplo.
Quanto às considerações que o quadro permite, a primeira é a constatação que o PT não é mais o partido das periferias. Nessa altura da campanha o seu candidato já deveria estar disputando cabeça a cabeça a liderança nas regiões Leste 2 e Sul 2, além de bom desempenho na Norte 2. E não é isso que se vê, apesar de aparecer em segundo lugar em duas dessas regiões.
Outra dedução possível é notar o reacionarismo dos novos ricos paulistanos. As regiões Leste 1 e Norte 1 são representantes clássicas desse povo, enriquecido pela boa economia, pelo acréscimo do poder de compra dos salários de corpos técnicos e administrativos mais qualificados, etc. Chamá-los de novos ricos é uma forma de dizer, pois seus apartamentos são financiados em "trocentos" anos, seus carros bacanas idem e o desemprego é um fantasma muito temido (mesmo para os empresários que obviamente dependem de uma boa economia interna). Essa gente vota no candidato neo-conservador, o Serra. Na Leste 1 e Norte 1, a sua votação tão expressiva quanto na Sul 1, que é, efetivamente, uma região mais elitista na cidade (e por isso votariam em seu representante no pleito, o Serra, é claro).
As regiões com maior presença de gente com alto grau de instrução (Oeste e Centro) apresentam uma maior proximidade entre os candidatos. Aí faltam informações para deduzirmos algum fenômeno político. Os candidatos Gianazzi e Soninha teriam alguma chance nessas regiões, com seus discursos mais progressistas? Ou apenas Haddad, tendo esse PT "centralizante" por trás?
Finalmente, repito o que disse sobre o Russomano: parece incrível que São Paulo ainda produza políticos dessa categoria. Ele aparece em primeiro em quase toda a cidade, com exceção do Centro e Sul 1, com pequena vantagem do candidato da elite. Como o paulistano ainda vota em gente assim? Como esse povo ainda dá audiência para esse tipo de discurso?
Difícil responder...
Segue o resto das imagens da reportagem, publicada hoje, na Folha de São Paulo (link no final). Uma última consideração é a seguinte: vindo da Folha, os dados não podem ser considerados tão confiáveis.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1158158-russomanno-conquista-votos-em-regioes-cativas-de-pt-e-psdb.shtml





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