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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pirassununga e a eleição para Prefeito

Política de longe
Em Pirassununga há apenas três candidatos para Prefeito.
Como resido aqui há pouco mais de dois anos, ainda não tenho como conhecer os candidatos de forma mais próxima. Resta-me a opção de pesquisar sobre eles. Então estabeleci alguns critérios para tentar avaliar de forma objetiva quem é melhor e quem é pior.

Os critérios que adotei
a) Perfil ideológico. Se o candidato reproduz em seu discurso algum perfil ideológico identificável, sua coerência com esse perfil e - obviamente - se eu me alinho com esse perfil.
b) Fidelidade partidária. De nada adianta avaliar o perfil ideológico do candidato se o partido a que pertence é de outra orientação ou se o candidato troca de partido.
c) Histórico de vida. O curriculum vitae de um candidato a vida pública é composto por sua trajetória profissional, política, associativa e judiciária.
d) Proposta de governo. Esse critério tem peso 2, pois envolve não somente as propostas que o candidato promete, mas também suas estratégias de viabilização. Se é que as citam...
e) Coerência com o cargo. Se o candidato tem uma campanha eleitoral que está de acordo com o cargo que objetiva ocupar.
f) Quem o deseja no cargo. Esse critério é um pouco mais complicado, afinal para descobrir quem está financiando a campanha é um dado difícil de obter.

Análise dos candidatos

Cristina do Léssio. A candidata é professora de história e servidora pública federal.
a) Apresenta alguma incoerência em adotar o discurso "Pirassununga mais humana" e ao mesmo tempo reforçar que pretende continuar os projetos da atual gestão, caracterizada por obras e não por seu humanismo. Ademais, apresenta como candidato a vice um capitalista rico. Não consegui entender, portanto, se é uma candidata identificável com o discurso da "esquerda" ou da "direita".
b) Fica ainda mais difícil entender quando descobrimos que a candidata saiu do PP, o partido do Maluf, caracterizado como um partido conservador e direitista, com raízes na ditadura, e transferiu-se para o PDT, de Brizola, que já foi esquerdista. Tem em sua base de apoio os partidos PRB, PT (ao qual pertence o vice), PTN, PSC, PMN, PSB, PV. Algumas micro legendas e outras mais identificáveis com a centro-esquerda. No interior os partidos fogem um pouco de seus perfis ideológicos devido a conflitos locais, mas ainda assim está confuso.
c) Fuçando pela internet foi possível descobrir que a candidata atua com os movimentos sociais no sentido de combate à droga e redução da marginalidade. Faz questão de declarar sua religião e participa ativamente das suas comunidades. Estudou Geografia e História em uma faculdade de São José do Rio Pardo. É funcionária pública federal, mas não consegui descobrir em qual órgão. Não é ré em nenhum processo no TJ-SP (bem como o candidato a vice). O vice é proprietário de uma cadeia de lojas de sapato, conhecida por não contratar funcionários portadores de tatuagens, o que possivelmente pode denotar algum preconceito. Já foi vereadora por outro partido e candidata a deputada estadual (sem sucesso).
d) Começa muito bem seu programa de governo reforçando e citando nominalmente o orçamento participativo EFETIVO. O restante das propostas estão organizadas em eixos temáticos (doze ao total), com maior destaque para Saúde e em segundo plano Educação e Meio Ambiente. Algumas propostas apresentam-se sumariamente detalhadas, enquanto outras são apenas uma frase com uma ideia. Não posso furtar-me de comentar sobre uma proposta no mínimo perigosa: um tal de "Espaço do Louvor" para que as igrejas possam realizar shows e cultos. Oras, "igrejas"? Onde fica a laicidade do Estado? Mas em compensação há algumas outras propostas interessantes, especialmente com relação às parcerias com entidades que já levam a cabo programas sociais. Não há nenhuma menção com relação à infraestrutura urbana. Não há nenhuma menção ao processo de planejamento. Não há quase nenhuma explicação sobre "como" efetivar suas propostas. É, no fundo, um apanhado de ideias, algumas boas, outras dispensáveis.
e) Pelo programa de governo, quase todas as propostas estão afinadas com o poder executivo ou com a capacidade de negociação do poder executivo com outros poderes e esferas de poder. Aparentemente a candidata conhece o trabalho de um prefeito e não engana seu eleitor.
f) A campanha está orçada em meio milhão de reais. Imagino que o vice seja o financiador principal, já que é rico, mas após as eleições vamos pesquisar o relatório de despesas de campanha e veremos.
Nota de "ZERO" a "DEZ": 4,6


Natal Furlan. O candidato é comerciante. E vereador.
a) O candidato é territorialista (defende o distrito onde mantém seus negócios), político profissional (quatro mandatos) e fundador do partido do Kassab, abandonando o PSDB. Alguns sites reproduzem discursos típicos de políticos de interior, conciliadores e "lisos". Ou seja, não tem perfil ideológico ou não o apresenta para não perder votos de quem tem perfil diverso do dele. O vice é funcionário da USP e integrante do PPS, que já foi um partido de esquerda em um passado distante. Os partidos de apoio da coligação são PTB, PPS, PSDC, PHS, PRP e PSD. Ou seja, nada.
b) Trocou de partido recentemente, abandonando o PSDB (que por muito tempo teve identidade própria, ligada às teorias FHCianas) para fundar o PSD na cidade (o partido do Kassab, conhecido por ser um catadão do centro, típico de quem não tem perfil ideológico). Segundo ele, o PSDB mudou demais e novas ideias o trazem ao novo partido. É verdade que o PSDB mudou demais então é aceitável a troca. Mas para o PSD?
c) Como vereador, é possível identificar pelas notícias que procura um tom conciliador, mais discreto. Impossível descobrir pelo site a qualidade de seu mandato. No mais, possui comércio na Cachoeira de Emas, onde é muito conhecido. O candidato a vice é funcionário da USP, foi presidente da Câmara dos Vereadores (tendo contra si o jornalzinho da cidade) e é "defensor" da zona norte da cidade. No mais, o candidato Natal Furlan aparece como réu em algumas execuções fiscais de valor baixo, creio que nada relevante.
d) Não encontrei propostas de governo em lugar nenhum. Nem no site "DivulgaCand" que reúne as informações oficiais. Portanto, nota ZERO nesse quesito. A principal função da campanha é divulgar as propostas e isso é uma das bases da democracia representativa (ainda mais em cargos executivos).
e) Nenhuma coerência da campanha com o cargo objetivado. Além dos candidatos serem da atual vereança, não expõem suas propostas através da internet em um programa de governo organizado (ou mesmo desorganizado, hehehe). Recolhi algumas ideias aqui e ali, especialmente por causa do candidato a vice, que tem alguma penetração na mídia e com isso acaba expondo seu posicionamento, que aparentemente é adequado.
f) A campanha está limitada a meio milhão de reais. Também não é possível identificar de onde vem essa verba, mas descobriremos após a eleição.
Nota de "ZERO" a "DEZ": 3,8

Edgar Sagioratto: é dentista. E vereador (ou vice).
a) O candidato aparentemente possui perfil ideológico definido, já que foi vice do atual prefeito e defende fortemente a continuidade da gestão. A gestão atual é personalista, fundamentada em "obras" e com o discurso (que é jingle de campanha): Pirassununga não pode parar. Ahn? Pirassununga está crescendo sem infraestrutura, senhor candidato. Continuando: esse perfil direitista e desenvolvimentista está superado nas cidades mais civilizadas, que preferem escolher alguém preocupado com a qualidade de vida dos concidadãos do que o simples "progresso" (está entre aspas, ok?). A vice é funcionária da Prefeitura (assistente social) e ex-Secretária - o que denota ter o mesmo perfil. É formada em Teologia, também.
b) O candidato é do PSDB mas foi do PMDB, quando foi eleito vice (na última eleição). Considerando o estágio em que vivem esses partidos, podemos considerar que o candidato utiliza os partidos como instrumento para sua candidatura. Os partidos da base de apoio são diversos, desde o direitista PP de Paulo Maluf até o antigo comunista PC do B. Inclui ainda PMDB, PR, DEM, PRTB, PSDB.
c) Sendo o único candidato com site oficial, fica mais fácil descobrir sua trajetória. Dentista militante e vereador por quatro mandatos, vem acompanhado da vice que também já foi vereadora e secretária de governo. Ou seja, assim como TODOS os candidatos, tratam-se de políticos profissionais. Ambos não aparecem nas pesquisas do TJ-SP como réus.
d) Apresenta propostas organizadas em 7 eixos temáticos, com destaque para a Saúde e a Infraestrutura Urbana. As propostas não estão detalhadas, sendo impossível identificar sua factibilidade. Algumas ideias são realmente boas, mas praticamente tudo se resume a implantação de novos espaços ou recuperação de espaços existentes, ou seja, OBRAS. Essas obras, em tese, tem como público alvo a população, mas prédios sem gestão não valem nada. No mais, não há qualquer indício de planejamento, participação popular ou sistema de gestão.
e) As propostas apresentam razoável coerência com o cargo objetivado. Como gerenciar a verba arrecadada é função do executivo. O problema é que em nenhum momento o candidato diz "como" ou sequer mede a profundidade de suas propostas.
f) A campanha está limitada a meio milhão de reais. Descobriremos depois de onde veio a verba.
NOTA de "ZERO" a "DEZ": 3,7.

RESUMO
É natural que - vindo de outra cidade - não conheça os candidatos de forma mais íntima como muitos eleitores antigos já os conhecem. E infelizmente os candidatos priorizam outros meios para comunicar-se com o eleitor: os terríveis painéis e santinhos (que para nada servem, exceto a memorização do número do candidato) e os comícios, frequentados principalmente por seus apoiadores e cabos eleitorais, que se submetem a ouvir discursos de vitória e motivação.
Por isso estabeleci esses critérios, que são os que encontram-se ao alcance de qualquer um. E concluo que a cidade está muito mal de candidato. Creio que um candidato com nota inferior a CINCO não merece meu voto. Então, para Pirassununga, resta apenas a opção do voto nulo.
Recentemente li sobre a possibilidade de anulação da eleição no caso de maioria de votos nulos. Há na internet muita reprodução de um artigo que considera essa possibilidade. Mas o fato é que para anulação da eleição o TSE e o STF levam em consideração apenas os votos anulados pela própria Justiça Eleitoral, ou seja, os votos dados a candidatos impugnados ou em urnas quebradas, por exemplo. A anulação por parte do eleitor não é considerada. No entanto, alguns especialistas dizem que o texto do Código Eleitoral é dúbio, tanto pode ser interpretado da forma como vem sendo atualmente como pode ter uma nova interpretação. Então vale o risco! Se houvesse um candidato minimamente aceitável (nota 5), valeria o meu voto.
Caso o eleitor seja um democrata por essência, faça questão de votar, então deveria eleger a candidata Cristina do Léssio. É uma candidata (e uma candidatura) com discurso forte, mas pouco definida. Sua origem no PP é perigosa. O discurso programático é incompleto, falho e superficial, mas ainda assim melhor que os outros candidatos. Eu não votaria, mas quem fizer questão...

Um comentário:

  1. Fabricio,
    sou morador em Pirassununga também há pouco tempo (apenas 3 anos), trabalho como funcionario publico municipal e gostaria de parabenizá-lo pela excelente análise a respeito dos candidatos a prefeito em Pirassununga. Como vc tambem ja havia me decidido a votar nulo, mas ainda estou em duvida em relação à Cristina do Léssio. Continue escrevendo este tipo de análise seu site, pois Pirassununga carece deste tipo de críticas (todas que leio nas mídias citandinas são absurdamente tendenciosas).
    Um abraço.

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