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segunda-feira, 28 de março de 2011

Planejamento do Metrô de SP (Planejamento?)

Depois de muito anos de planos, projetos e obras, finalmente o metrô chega ao Butantã. Como é usual, o horário de funcionamento será bem reduzido, a operação está sujeita a ajustes e todas aquelas ressalvas típicas de "meia" inauguração.

Mas a simples afirmação que a rede expande a passos lentos demais, considerando a crescente mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), é chover no molhado. Todos que circulamos por SP sabemos disso.

Mas o que noto nas entrevistas e nos dados disponíveis em sítios oficiais do Governo do São Paulo, é que o planejamento técnico não tem norteado a expansão. O discurso do Governador e Secretários (políticos) é o de trabalhar onde é mais fácil.

Primeiro veio a notícia que a linha 5 (inaugurada pela metade, do fim para o começo) ficaria atrás da linha 6 no cronograma de prioridades do Governo de SP. A tal linha 6 é uma distorção dos planos iniciais do Metrô. Entendo que planejamento seja processo, não pode ser estanque, mas a justificativa é muito pobre, pouco acompanhada por dados disponíveis, junto a diagnósticos mais precisos. A simples substituição de prioridades é explicada no link abaixo. Mas o desenho da linha me pareceu algo elitista, cruzando bairros valorizados, consolidados e já bem servidos de transporte público. As conexões que permitirá não aumentarão muito o número de usuários, mas os distribuirá melhor pelo sistema. Parece que os planejadores do metrô já entendem que a expansão é lenta; agora se preocupam com a qualidade do serviço antes de arregimentar novos usuários e desbravar novas regiões.

Segue o link, do UOL:

Outra contradição veio da figura que ocupa o cargo de Governador no Estado de SP. Ele declarou, hoje, nesse link aqui, na inauguração da Estação Butantã, que pretende realizar uma parceria público-privada (PPP) para levar o metrô até a cidade de Taboão da Serra, dentro da RMSP. Um esclarecimento, antes do comentário: toda a linha 4 (da qual faz parte o Butantã e fará parte Taboão) foi construída nesses moldes. É operada por um super consórcio (o mesmo que matou gente na obra da estação Pinheiros), que detém a concessão por 30 anos.

Uma contradição é a seguinte: as estações intermediárias estão em obras e nem possuem datas para entrega (no sítio da concessionária viaquatro está escrito que as 6 primeiras estações seriam entregues em 2010 e as seguintes em 2014). Então o Governador está forçando a barra ao dizer que vai levar o metrô para o outro lado da linha... Será difícil fazê-lo em seu mandato.
A outra contradição é a seguinte: no Plano de Expansão que o sítio do metrô disponibiliza, não consta a tal extensão até Taboão da Serra. Oras, o senhor Governador não conversa com os técnicos?

Resumo da ópera, com um dado a mais: a Companhia do Metropolitano deixava o Plano de Expansão completo disponível em seu sítio da internet. Agora, como visto no link acima, somente é possível visualizarmos a tal "Rede Essencial", que considera a expansão até 2025. E considera como "Rede Consolidada" a rede existente mais as estações em obras iniciadas até 2012.

Cadê o resto do Plano? Não é possível conhecermos a rede de expansão completa? Não existe mais esse nível de planejamento? Não há mais comprometimento do Governo em inaugurar estações e linhas de acordo com um Plano mais abrangente (como o PITU, criado em 1999, com horizonte 2020)?

Eu penso que a resposta para todas essas questões seja uma outra pergunta.
PARA QUÊ serve a Companhia do Metropolitano?

Transportar?
Ou promover negócios imobiliários gigantescos?
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2 comentários:

  1. Além do negócio imobiliário, parece que o político quer usar obra de metrô também pra promoção política. Mais um campo para fazer promessa e iludir o eleitor. E mesmo com todos os casos, mesmo com todas as metas atrasadas, mesmo com toda essa ótima explicação no seu post, tem muita gente que ainda acredita!

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  2. TODOS os políticos usam as obras para promoção política, infelizmente... Ainda mais essas que aparecem, que dão reportagem nos jornais e na tevê.
    Mas o que você disse é fato: mesmo assim ainda tem muita gente que acredita!

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