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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Cracolândia é só mais uma!


LUZ from Left Hand Rotation on Vimeo.


Ainda com relação à cracolândia, assisti esse vídeo com falas da presidente da Associação de Moradores, da profe Raquel Rolnik e da arquiteta Simone Gatti, com quem tive a oportunidade de trabalhar, no projeto "Eixo Tamanduateí", em Santo André. Aliás, em outra oportunidade vou comentar sobre esse trabalho.


Nesse vídeo a situação é posta às claras.


O que está em curso, já há muitos anos, é o processo que David Harvey descreveu já há quase 30 anos. Muito resumidamente, na cidade capitalista, que é um espaço fragmentado e mutante, as relações sociais é que vão construindo seus espaços com toda sua complexidade. Portanto, na disputa entre as classes, resta aos pobres o que os ricos não querem. Segundo alguns autores, o Estado está do lado dos ricos. Ok, vamos assumir que sim, ainda mais em governos como Kassab e Serra.
O interesse dos ricos em determinados "pedaços" de terra urbana é motivado pela especificidade de cada lugar. Na cidade, cada terreno tem sua particularidade, cada bairro, cada zona. E o Centro é o lugar que concentra mais interesses, em quase todas as áreas urbanas. Principalmente por ter toda a infraestrutura, serviços, maior permissividade edilícia, etc. Note mais uma vez a importância do Estado, que investe na instalação dessa infraestrutura e determina os índices edilícios.
A tática dos ricos para expulsar os pobres de uma área recém-eleita "interessante", especialmente nesses entornos do Centro, é composta de duas fases. A primeira é promover a intensa degradação do lugar. Compram-se imóveis e os mantém fechados ou subutilizados, permite-se a instalação de cortiços, aceita-se a presença de mendigos e drogados... O segundo passo, em consórcio com o poder local (Prefeitura), é criar projetos de recuperação, revitalização ou qualquer "re" que esteja na moda. Nesse ponto, os proprietários e investidores são convidados a "ajudar", para que a "melhoria" da área seja posta em prática, que o projeto vire obra.
Em urbanismo, é chamado de "gentrificação" esse processo de "re" (recuperação, revitalização) levado a cabo em consórcio de poder público e privado. Pois a população pobre é expulsa e os lucros ficam para poucos. A população pobre é expulsa literalmente, nas desapropriações, operações de restituição de posse, desmantelamento de cortiços e favelas, ou então financeiramente, já que não conseguem manter-se no local após a valorização e aumento do valor dos alugueres.
Conclusão: estamos vendo um caso clássico, que há muitos anos está em curso. As manifestações, infelizmente, só começam a tomar corpo agora. Mas antes tarde do que nunca. Sorte a todos, especialmente aos coitados cujas vidas estão entregues ao crack e aos coitados/as que tentam alugar seus corpos decrépitos, sem tempo pra pensar na miséria humana.


ATUALIZAÇÃO DE 30/01/2012

Importantíssimo acrescentar aqui esse link para artigo da profe Ermínia Maricato. Para ela, a luta de classes está precisamente representada nesse lugar e nesse momento. Além disso, ela explica melhor do que eu os processos acima. Imperdível!

Um comentário:

  1. Esse vídeo vi dia desses e gostei muito. E muito bom seus comentários! É bem por aí mesmo... Estamos acompanhando isso tudo bem na nossa cara e muita gente não percebe. Outros até percebem bem, mas estão curtindo, pois jogam do outro lado.

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