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sábado, 14 de janeiro de 2012

Da Tecnologia da Construção (e alguns mitos ambientais)

Observe esse vídeo:



Saiu, há pouco tempo, uma notícia sobre um arranhacéu de 30 andares erigido na China, em apenas 15 dias. Não é a primeira vez que a construção rápida de um prédio se torna um viral na internet. O vídeo abaixo também demonstra a construção de um prédio naquele país, dessa vez em 6 dias (mas com 15 andares).


É óbvio que isso tudo é interessante, do ponto de vista social temos que o trabalho técnico é valorizado, as profissões envolvidas são melhor remuneradas, exige-se muito treinamento. Mas há o contraponto da economia capitalista: apenas grandes empresas conseguem firmar e respeitar contratos tão ágeis, com a necessidade de mobilizar tantas máquinas caríssimas e comprar materiais em tão curto prazo.

Porém a grande propaganda é relacionada ao trato ambiental. Aí esconde-se uma grande malandragem. Claro que construções pré-fabricadas e industrializadas geram menos entulhos e sobras do que construções realizadas integralmente in loco. Porém igualmente retiram materiais da natureza, sejam quais forem. E a maior parte do esforço mecânico (erguer, movimentar, transportar) é realizado por máquinas, que consomem combustível. Na construção convencional, esse esforço mecânico é realizado, principalmente, por homens. E a aceleração da construção, indiretamente, também pode acelerar a sanha dos capetalistas, que usam a construção civil como válvula para novos investimentos, independentemente da necessidade de se construir novas edificações - e assim aumentando o consumo de matérias primas!

Portanto considero essas inovações algo positivo do ponto de vista técnico. A urgência de edificar pode ser justificada em casos específicos, como ofertar moradias em áreas degradadas ou atingidas por sinistros, ou até o caso acima, de hotéis próximos a grandes eventos. Mas, por favor, não usem o argumento de "respeito ao meio-ambiente" para defender essas novas técnicas construtivas.

Um comentário:

  1. Duca, o vídeo. Não vou entrar na discussão ecológica, porque isso é ocioso: é a China, caramba, preciso dizer mais? Agora, vem cá: tá, levantaram o prédio em 15 dias. Mas quanto tempo tomou o planejamento e a produção dos componentes pré-fabricados? Não tiro o mérito da construtora, mas o fato é que antes de iniciar a construção já tinham todos os componentes prontos, só encaixar, parafusar e moldar. O pessoal trabalha com construção pré-fabricada aqui no Brasil também trabalha rápido para os padrões nacionais(não tanto quanto esses caras, é lógico...).

    Vou dizer uma temeridade, mas acho que para cidades como São Paulo, essa tecnologia de construção ultra-rápida traria benefícios, já que os canteiros de construção causam imensos transtornos logisticos na cidade. Todavia, poderia incentivar, ainda mais, a construção indiscriminada. Como aqui se prefere concreto armado ao aço, por motivos que não entendo, vamos continuar na nossa lenga-lenga.

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