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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Desastres Artificiais (Parte III – Outro Caso Verídico)

Foto do portal R7 (que não dá a real dimensão do estrago)

O segundo caso apresentado nesse blog é o das enchentes de dezembro e janeiro de 2010 nas margens do Alto Tietê, logo a montante da Barragem da Penha. Para quem não se lembra, alguns bairros ficaram quase dois meses inundados. O nome que ficou conhecido (mas não o único) é o Jardim Romano, bem na divisa de São Paulo e Itaquaquecetuba.

A participação da Gerenciadora que eu trabalhava, nesse caso, foi menor. Como contávamos em nosso staff com especialistas de várias áreas, fomos consultados pela Prefeitura de São Paulo a fim de proceder uma investigação das causas e possíveis soluções para aquele problema. Paralelamente, o Governo do Estado também investigava e estudava (instituição legalmente responsável para estudar e evitar esses problemas).

Nossa primeira providência foi percorrer a região, verificar o que realmente aconteceu, registrar, medir. Nos surpreendemos. A área inundada era muito maior que prevíamos. O destaque dado pela imprensa não era suficiente frente ao desastre que presenciamos. Não haviam fotos a partir de helicóptero e as câmeras de TV não focalizavam o desastre de forma abrangente. A segunda providência foi justamente essa: nosso fotógrafo sobrevoou a região e registrou (brilhantemente) a extensão do desastre.

A partir daí contatamos outros especialistas e pessoas influentes em órgãos técnicos (DAEE, SABESP). Descobrimos coisas incríveis, como a política da SABESP com relação às represas: uma grande mina de ouro, a despeito da importância para conter enchentes. Descobrimos que a operação das barragens era manual. E – não posso garantir – pegamos o pulo do gato.

O Governo do Estado de São Paulo, dos senhores Alckmin e Serra, gastou um BILHÃO e mais umas CENTENAS de MILHÕES para concretar as margens do Rio Tietê, entre o Parque Ecológico e Osasco (ou seja, onde tem vias marginais). Gastou mais um BILHÃO e uns QUEBRADOS para criar a tal terceira pista da Marginal Tietê. Só de dinheiro MEU, em impostos, acho que investi um ou dois mil reais nessa obra, involutariamente. Por que estou escrevendo isso? Eu pergunto: com tanto investimento as enchentes acabaram, não é? Eis aí a possível resposta (só não garanto porque não tenho provas concretas) para as enchentes desses bairros pobres. A operação manual das barragens poderia conter boa parte das águas provenientes da bacia do Alto Tietê, reduzindo a vazão a jusante delas, onde estavam essas obras bilionárias. Em outras palavras: erga-se a barragem e as águas ficam pra trás, onde estão os pobres.

P.S.: o trabalho de fotografia foi realizado por Fabio Knoll. http://www.fabioknoll.com/

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